<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072</id><updated>2011-04-21T20:55:32.150+01:00</updated><title type='text'>Viagens na Minha Linha       (BLITZ)</title><subtitle type='html'>"The successor to politics will be propaganda. Propaganda, not in the sense of a message or ideology, but as the impact of the whole technology of the times."
&lt;br&gt;
Marshal McLuhan</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>43</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-116631378425275570</id><published>2006-12-17T00:02:00.000Z</published><updated>2006-12-17T00:04:15.776Z</updated><title type='text'>A VR sob suspeita</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;(1)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A aurora boreal e o arco-íris são as imagens virtuais da Natureza (ou de Deus). As pinturas rupestres esboçadas nas paredes das cavernas são as primeiras imagens virtuais da humanidade. Se aceitarmos que o virtual é «o que parece real mas não existe», a representação das caçadas são o dealbar de um longo caminho para a autonomia das imagens. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O Renascimento desenvolveu o carácter representativo da imagem somando-lhe uma terceira dimensão: a perspectiva. É um artifício técnico que permite iludir o «olhar», mecanismo mental de teor psico-cultural mais que fisiológico.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na alvorada do séc XX, o «trompe d'oeil» anima-se com o nascimento do cinema. Terrificados, os espectadores saltam das suas cadeiras ante a imagem da locomotiva de Lumiére andando em sua direcção. É o momento alto da verosimilhança do virtual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O Cubismo explora a tridimensionalidade dos objectos, representando-o desde múltiplas perspectivas impossíveis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os computadores, finalmente, permitem que as imagens em movimento sejam interactivas. Chegou a Realidade Virtual que, no entanto, conheceria ainda várias etapas: os jogos 2D (duas dimensões); os simuladores e os jogos 21/2D, com a incorporação do efeito de perspectiva às imagens de 2D; e os laboratórios virtuais onde os cientistas criam os seus próprios mundos e criaturas virtuais para melhor compreender o mundo e as criaturas reais (inteligência artificial, teoria do caos, etc.).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Neste momento apenas o ecrã de televisão se interpõe entre o virtual e o real. Com os capacetes de Realidade Virtual cria-se o «interface» definitivo que permite ao homem explorar os novos mundos. E brilha um novo arco-íris, «à imagem e semelhança» do Homem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;(2)&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A última ofensiva do americano Robert Showers na sua cruzada contra a violência atingiu a Realidade Virtual. Na última emissão do programa «The 700 Club», da CBN, Showers inferiu que se há violência a mais na televisão, no cinema e nos videojogos, o mesmo virá a acontecer nos programas de VR. Parece-nos correcto. O que já é exagero é sugerir que a VR está agora na mesma fase de desenvolvimento que a tv nos anos 30, e que seria a altura ideal para a controlar. Que raio de mania, essa do controlo. Mas não é só de violência que se trata. O mercado de videogramas pornográficos rende qualquer coisa como 12 biliões de dólares/ano. Segundo os «cruzados» a maior fatia de clientes vem da faixa etária dos 12-17 anos. Acontecerá o mesmo na VR? O cerne do problema reside na existência do mercado. A transfiguração tecnológica é só isso mesmo: tecnológica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Entretanto, o golpe mais duro, e segundo a revista «Wired», foi a descoberta de que a VR pode causar lesões visuais aos seus utilizadores. A conclusão terá sido do SRI, a quem a SEGA encomendou um estudo sobre o assunto e cujos resultados, para já, não revela. «Binocular dysphoria»(???) é o que lhe chama a «Wired», uma alteração na percepção da perspectiva. Falta saber: é psíquico ou fisiológico? Ou ambos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As ideias nucleares da narrativa, primeiro: que a VR permite desenvolver ou aceder a partes adormecidas do cérebro (as tais que teriam, em tempos remotos, sido utilizadas por feiticeiros e alquimistas para a telecinética, telepatia, levitação, etc.,etc.); segundo: a possibilidade de renegar a existência fisíca, fundindo a mente no (ou com o) ciberespaço, elevando a estado de omnisciência perto da divindade; acabaram por ser temas de muitas histórias periféricas, sobretudo no campo dos «comics», onde os exemplos são tantos que seria obsceno referenciá-los. Neste caso, contudo, a matriz é melhor que as cópias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:100%;" &gt;A moda e o apetite voraz pelo «ciberpunk» parece exceder a capacidade criativa dos gurus do movimento. Devidamente contextualizado (no tempo, na ficção e nas imagens), The Lawnmoner Man é um filme valioso, mesmo que a tão propalada cena de sexo virtual seja descorçoante, ao qual não se deve minimizar um dos seus méritos inesperados: o futuro vai ser, também, assim.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-116631378425275570?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/116631378425275570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=116631378425275570&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116631378425275570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116631378425275570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/12/vr-sob-suspeita.html' title='A VR sob suspeita'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-116631352969722574</id><published>2006-12-16T23:54:00.000Z</published><updated>2006-12-17T00:00:49.540Z</updated><title type='text'>O Império do tacto</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nunca como hoje o homem se entregou à ditadura da visão. A leitura, a fotografia, o cinema e a televisão são os meios utilizados por cada um de nós para comunicarmos com o destino (leia-se: o real). Já nem sequer a música resiste a ser ilustrada &lt;st1:personname productid="em videoclips. Mas" st="on"&gt;em videoclips. Mas&lt;/st1:personname&gt;, na era da interactividade, há quem conteste esse primado relembrando, e bem, que a visão é, por definição, passiva. E de todos os sentidos, só o tacto é de natureza interactiva: não podemos tocar sem sermos tocados.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Kirk Woolford, um americano radicado na Alemanha, é um dos autores do projecto CyberSM, um sistema de comunicação audio-táctil que ficou conhecido na Europa como a primeira experiência no domínio do cibersexo. Aproveitámos a sua presença no Workshop Virtual Environments (Coimbra, Outubro passado) para historiar um dos acontecimentos mais quentes da Realidade Virtual em 1993, e seguir o desenvolvimento posterior deste cientista que acredita no toque como linguagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Muito embora Kirk Woolford recuse liminarmente a colagem do chavão cibersexo às suas experiências, o nome CyberSM inspirou-se nos primeiros fatos (&lt;i style=""&gt;data-suits&lt;/i&gt;) construídos no MIT, à base de couro e plástico negros, salpicados de fios e sensores que relembram a iconografia sado-masoquista. Há também uma razão de ordem funcional: na experiência de CyberSM, o controlo das sensações que cada um pode sentir está entregue aos desejos do outro. «Quando entramos num mundo virtual, entramos também no mundo de alguém», diz Kirk. Mas afinal como é que tudo isto funciona?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;CyberSM&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A panóplia do CyberSM é composta por dois fatos interligados à distância, com capacidade de gerar vibrações e choques eléctricos, e uma base de dados com a qual se constroem corpos virtuais a partir de várias dezenas de corpos previamente «scannerizados». Para além da linha (ISDN) que transporta as informações do toque (vibração ou choque eléctrico), existe ainda uma linha áudio para a voz. Uma vez vestido o fato e construído o corpo virtual no computador, a imagem deste vai aparecer no ecrã do interlocutor, e é sobre esse corpo virtual que ele actua, através de um simples cursor. E vice-versa. Os comandos aplicados sobre o corpo virtual são então traduzidos pelo computador remoto em vibrações ou choques produzidos no fato sobre o corpo real. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na primeira experiência, realizada entre Paris e Colónia, a localização do toque foi propositadamente alterada pelo programa, de modo a «incentivar o diálogo e a exploração do corpo do outro». Auch! acabaste de me mandar duzentos volts ao umbigo! Mas quando os participantes não conseguiam comunicar através de uma língua comum (um utilizador de Paris só falava francês e o de Colónia inglês e alemão) não resistiam mais que alguns minutos, caindo no aborrecimento. Para Kirk Woolford foi a desilusão, «afinal tínhamos criado um método de ilustrar uma conversa telefónica com o tacto». A resolução do toque mostrou-se demasiado limitada para que os participantes dialogassem a esse nível, forçando-os a uma relação familiar e conhecida: a conversa telefónica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Toque é sexual&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Kirk Woolford criou ainda o CyberSM III, que funciona com máquinas Silicon Graphics ligadas à Internet. Neste segundo projecto, o corpo virtual foi abandonado. O "interface" passa a ser o próprio corpo do participante que ao tocar-se a si mesmo toca o corpo remoto. Os fatos CyberSM III incluem "zonas de toque" que são lidas pelo computador. A localização e a duração do toque são traduzidos por vibrações no corpo remoto, no mesmo local (ao contrário do primeiro projecto) e com uma intensidade que varia conforme a duração do toque inicial. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;«O projecto CyberSM não se confronta apenas com problemas da utilização do corpo humano como "interface", mas também com a percepção cultural do tacto». É deste modo que Kirk explica a colagem do chavão cibersexo ao projecto, pois, segundo ele, «o toque mais comum entre as pessoas, para muitos até o único toque que reconhecem, é sexual. Contudo, a interpretação que os media fizeram, revelou as fragilidades do projecto. Quando nos tocamos, a localização e a qualidade do toque significam mais do que o simples acto de tocar. A construção do CyberSM não permite este tipo de subtileza». &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Rosa dos Ventos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;De regresso ao laboratório da Academy for Media Arts, Kirk Woolford não abdicou da sua pesquisa sobre o tacto, mas quis distanciar-se de sistemas que se confundissem com cibersexo ou desvirtuassem o sentido inical da comunicação através do toque. Foi assim que nasceu o projecto Wind Walker, que corre também &lt;st1:personname productid="em Silicon Graphics" st="on"&gt;em Silicon Graphics&lt;/st1:personname&gt; e &lt;st1:personname productid="em protocolo TCP" st="on"&gt;em protocolo TCP&lt;/st1:personname&gt;/IP. O Wind Walker é um cinto incrustado com oito ventiladores, uma espécie de Rosa dos Ventos que fornece ao utilizador coordenadas de direcção. O Wind Walker detecta a presença de outros participantes e traduz essa presença ou movimento através do vento (aumentando e diminuindo a pressão conforme a distância). Segundo Kirk, a primeira experiência com múltiplos utilizadores -- em Berlim -- mostrou-se mais gratificante que as do CyberSM. Muito embora durante os primeiros momentos as pessoas mostrassem necessidade de falar, dizendo aos outros que se imobilizassem ou para onde se mover, rapidamente deixaram de falar, deixando-se submergir pela experimentação fisíca dos outros.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foi este sistema que Kirk Woolford trouxe até Coimbra, onde foi notada a sua potencialidade no campo dos invisuais. Mas o investigador ainda tem alguns problemas, o menos dos quais é o obstáculo da roupa (já que o vento só funciona directamente sobre a pele): «Acredito que é possível utilizar o tacto como forma de comunicarmos uns com os outros. Mas estas experiências ainda estão muito longe de uma "resolução fotográfica", tal como ela já existe na criação de imagens virtuais".&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-116631352969722574?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/116631352969722574/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=116631352969722574&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116631352969722574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116631352969722574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/12/o-imprio-do-tacto.html' title='O Império do tacto'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-116627793372726387</id><published>2006-12-16T13:56:00.000Z</published><updated>2006-12-16T23:39:46.490Z</updated><title type='text'>O 1º Ciclo Virtuoso: Tempo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  lang="EN-US" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  lang="EN-US" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;“Things have their shape in time, not space alone. Some marbles blocks have statues within them, embedded in their future”&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;Alan Moore, &lt;i style=""&gt;in&lt;/i&gt; Watchmen&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Todos nós sabemos o que é o tempo. Explicá-lo, porém, é coisa mais difícil. Como dizia Santo Agostinho: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;“O que é o tempo? Se não me perguntam, sei. Se me perguntam, desconheço”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"  style="text-indent: 0in; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Diz-se que é a quarta coordenada: acrescentado às três coordenadas do espaço, ditará com rigor o “onde estamos?”. Mas desde sempre que a pergunta anterior a esta é o “quem somos?”. E aqui o tempo e o espaço são muito diferentes.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Nietzsche desaprovava que se falasse de Goethe e de Schiller na mesma frase. Quem isso nos recorda é Borges, para acrescentar que ele mesmo pensa ser &lt;i style=""&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“igualmente irrespetuoso hablar del espacio y del tiempo”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color:teal;"&gt; &lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";color:teal;" &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Na verdade, argumenta Borges, podemos prescindir – no nosso pensamento, na nossa mente – do espaço, mas não do tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Borges segue a sua dissertação resumindo as sensações ao ouvido para nos dizer que &lt;i style=""&gt;“é absurdo supor que a música em si necessita de instrumentos” &lt;a style="" href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;[2]&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;. Também o tempo não precisa de instrumentos ou medidas. Recorremos a esses artifícios ou convenções de modo a comunicar o tempo, mas ele em si existe para além disso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"  style="text-indent: 0in; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Mas levemos a experiência de Borges um pouco mais longe: excluamos ainda o ouvido. Imagine-se numa câmara de privação sensorial. Não há luz. Não há qualquer ruído. O tacto é uma sensação de flutuação num líquido morno. Deixou de haver lugar. Mas há uma última coisa que esta privação jamais nos pode tirar: a experiência do tempo, por muito alterada ou alucinada que ela seja (parece que esta é a própria intenção da câmara de privação).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"  style="text-indent: 0in; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;O tempo -- e a memória -- é a coisa última que resta a uma mente sem percepção do “real”; é a derradeira emoção que constrói a nossa própria consciência. O tempo é absoluto? Talvez não...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Newton e a física mecanicista que perdurou até finais do séc. XIX acreditavam que o tempo era absoluto. Que era igual aqui e em toda a parte e que decorria continuamente. Tal era a visão do mundo e do seu funcionamento, pois o tempo é uma constante necessária às equações da mecânica. Contudo, a teoria da relatividade e, um pouco mais tarde, a física quântica, vieram desviar o tempo do conceito da constante. Ele já não é igual em todo o lado, e quando dizemos ‘todo o lado’ já não nos referimos à esquerda e à direita, mas em profundidade, ao nível subatómico ou macroscópico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Na verdade, a constante foi também pulverizada por outra via: no dia a dia do século XX, por força dos novos media e da era digital, a cognição adquiriu a velocidade da luz. Na ordem de grandeza dos nanosegundos, a instantaneidade destemporaliza os processos, tornando-os – aparentemente – simultâneos: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 26.95pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;“In compunicational milieus, information processing begins to transpire so quickly (on the order of nanoseconds) that it is said to seem essentially timeless; thus communications networks have quickly developed to the point where information processing has become indistinguishable from the act of communication itself. The medium and, by extension, the various complex acts of mediation, for all intents and purposes, have become invisible.”&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 26.95pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Branden Hookway&lt;a style="" href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;À velocidade da luz tudo é simultâneo e holístico. Por força da electricidade, a distância – que se pode contar por quilómetros ou por minutos, medidas de espaço e tempo, recordo – esvanece-se. Como panfletariamente anunciou Tom Peters: &lt;i style=""&gt;“Distance is Dead. Yikes!”&lt;a style="" href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;[4]&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;À velocidade da luz, o tempo destruiu o espaço e criou envolvimento em profundidade, de caminho fritando-nos o cérebro. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;O homem explodiu e o universo implodiu. O paradigma que define esse ponto onde se interseccionam esses dois movimentos contraditórios, está ainda por definir claramente. De certo modo, Chardin chamou-lhe a Noosfera; Jung, o inconsciente colectivo; Lévy, a inteligência colectiva. Mas o termo mais consensual é: o Ciberespaço. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 27pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;“Hoje, após mais de um século de tecnologia eléctrica, expandimos o nosso sistema nervoso central num abraço global, abolindo simultaneamente o espaço e o tempo, no que diz respeito ao planeta. Rapidamente, avançamos para a fase final das extensões do homem -- a simulação tecnológica da consciência, quando o processo criativo do conhecimento será colectivamente e corporativamente alargado ao todo da sociedade hum&lt;st1:personname st="on"&gt;ana&lt;/st1:personname&gt;, tal como já expandimos os nossos sentidos e os nossos nervos através dos vários media”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 27pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Marshall McLuhan&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A metáfora da Aldeia Global -- &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;“As electrically contracted, the globe is no more than a village”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt; -- &lt;span style=""&gt;preconizada por Marshall McLuhan, veio servir de modelo teórico para a primeira fundação do Ciberespaço, por excelência o “local” onde acontecem os processos de comunicação e mediação e se inaugura com a maior e mais complexa rede de telecomunicações, a telefónica. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;Cyberspace: the place you are when you're on the telephone”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;, definiu John Perry Barlow. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A aldeia é, obviamente, uma mera imagem literária. A “contracção” que se realiza por força da electricidade reduz o espaço a um ponto imaginário: aquele em que reside a nossa consciência ou, melhor, o ponto em que as consciências se tocam e trocam, um consciente colectivo. E se é da ordem da consciência, deixa pois de ser um espaço para se tornar, como disse William Gibson, uma “alucinação consensual”.&lt;a style="" href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Ou seja, o Ciberespaço é um tempo, uma experiência, e não um espaço. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-left: 197.9pt; line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A imediaticidade não se circunscreve apenas aos processos da informação mas também, é necessário não esquecer, à resolução da experiência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;O Ciberespaço existe em todo o lado e ao mesmo tempo, mas essa é só a forma mais fácil de colocar a questão (o real também está em toda a parte embora não ao mesmo tempo). Deveríamos antes dizer: no Ciberespaço existimos em todo o lado e ao mesmo tempo. Existimos, apenas e também, em tempo real. O Ciberespaço não é um espectáculo – como a História – mas uma experiência. Deriva também daí a desintegração do tempo: a incapacidade de uma construção linear, substituída pela simultaneidade. Nesse sentido, não só nos encontramos esvaziados de distância, de causalidade e de interpretação, mas mesmerizados pela experiência. Depois do transe de Narciso, o coma profundo: sem história, sem olhar, sem linguagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Bernard Comrie&lt;a style="" href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; distingue duas formas de tempo no que se refere à linguagem: o aspecto (aspect) e o particípio (tense). O particípio designa o tempo em que as situações relatadas acontecem: no passado, no presente ou no futuro. Fazem a distinção entre o tempo em que as situações ocorrem e o momento em que são formuladas na fala. Por sua vez, o aspecto distingue entre o perfectivo (perfective) -- uma situação vista desde “fora”, como terminada -- e o imperfeito (imperfective) -- uma situação vista desde “dentro”, como ainda a decorrer. A narrativa, tal como a História, é assim uma representação no aspecto perfectivo; por seu lado, a interactividade pertence ao aspecto imperfeito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Isto sugere que &lt;i style=""&gt;“os aspectos perfectivo e imperfeito, e por &lt;st1:personname st="on"&gt;ana&lt;/st1:personname&gt;logia a narrativa linear e a simulação interactiva, correspondem a dois modos fundamentalmente diferentes de olhares” &lt;/i&gt;(Cameron).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;McLuhan falava da “simulação tecnológica da consciência” como um momento de ascese, o nanosegundo em que o Homem se reúne ao Ciberespaço --&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;“A mensagem não é constituída pelas palavras, mas pelos efeitos na pessoa. É a conversão”&lt;a style="" href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;[7]&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A simulação, ao contrário da História, designa as condições para os acontecimentos, e não os acontecimentos &lt;st1:personname productid="em si. Um" st="on"&gt;em si. Um&lt;/st1:personname&gt; bom exemplo são os simuladores de corridas: a pista, a velocidade, o carro, são as condições, mas não o acontecimento. O tempo é: tempo real, agora, sem construção verbal de passado ou futuro. Não existe escatologia; o resultado -- ou o final -- está em aberto; mas também não existe linguagem, porque o Ciberespaço é uma experiência partilhada e não transmitida. É esta a profunda diferença entre os olhares.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Sem linguagem e sem olhar, que resta do homem? Antes de entrarmos em pânico – ou me lerem como apocalíptico – que fique claro que há sempre novas linguagens e novos olhares prontos a serem descobertos (ou deveria dizer: inventados?) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;J.C. Hertz afirmou&lt;a style="" href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; que &lt;i style=""&gt;“os videojogos são o treino perfeito para a vida na América fin-de-siècle, onde a existência diária exige a habilidade de gerir dezasseis formas de informação que nos são disparadas pelos telefones, televisores, faxes, pagers, PDAs, sistemas de mensagens de voz, correio postal, correio electrónico e a Internet”&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;E continua: &lt;i style=""&gt;“Os nascidos com o joystick possuem vantagens incorporadas (…) os miúdos criados com videojogos não são deficitários de atenção, moralmente aberrantes, pequenos zumbis iletrados que massacram gente em massa após demasiado &lt;/i&gt;Mortal Kombat. &lt;i style=""&gt;Eles são, simplesmente, aclimatados a um mundo que cada vez mais se assemelha a uma experiência de arcada”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;O tempo Universal aproxima-se vertiginosamente do, sincroniza-se com, o tempo do Ciberespaço. Por ora, talvez isto não seja muito óbvio. Mas a progressiva aceleração da cultura, da economia, etc., levar-nos-á a um momento em que a vida será representada e interpretada no seu aspecto imperfeito. Como uma “experiência de arcada”, tal como nos diz Hertz ou, para sermos mais precisos, como uma “simulação tecnológica da consciência”. E então deixará de haver desculpas: o mundo será aquilo que quereremos que ele seja. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;Finalmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div face="courier new"&gt;&lt;hr style="margin-left: 0px; margin-right: 0px; font-family: verdana; height: 3px;" size="1" width="33%"&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="margin-left: 9pt; text-indent: -9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; Borges, Jorge Luis, &lt;i style=""&gt;Borges Oral&lt;/i&gt; (Madrid: Alianza Editorial, 1998).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;" id="ftn2"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; Id.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;" id="ftn3"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 9pt; text-indent: -9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref3" name="_ftn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;Hookway, Branden, &lt;i style=""&gt;Pandemonium - The Rise of Predatory Locales in the Postwar World&lt;/i&gt; (Nova Iorque, Princeton Architectural Press, 1999)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;" id="ftn4"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="margin-left: 9pt; text-indent: -9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref4" name="_ftn4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;Peters, Tom, &lt;i style=""&gt;The Circle of Innovation - You Can’t Shrink Your Way to Greatness&lt;/i&gt; (Nova Iorque, Vintage, 1999)&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;" id="ftn5"&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-left: 9pt; text-indent: -9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref5" name="_ftn5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; Leary, Timothy, &lt;i style=""&gt;High Tech High Life -- William Gibson &amp; Timothy Leary In Conversation&lt;/i&gt; (Berkeley, Mondo 2000 nº7 Outono 1989)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;" id="ftn6"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref6" name="_ftn6" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Comrie, Bernard&lt;i style=""&gt;, Language Universals and Linguistic Typology&lt;/i&gt; (Chicago: University of Chicago Press, 1982)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: verdana;font-family:arial;" id="ftn7"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="margin-left: 9pt; text-indent: -9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref7" name="_ftn7" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;McLuhan, M., Pierre Babin, &lt;i style=""&gt;Era Electrónica Um Novo Homem Um Cristão Diferente&lt;/i&gt; (Braga: Multinova, 1979)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div face="arial" id="ftn8"&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText" style="margin-left: 9pt; text-indent: -9pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt;&lt;a style="" href="#_ftnref8" name="_ftn8" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="font-size:11;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt; Hertz, J.C., &lt;i style=""&gt;Joystick Nation: How Computers Ate Our Quarters, Won Our Hearts and Rewired Our Brains&lt;/i&gt; (Boston: Little, Brown &amp;amp; Company, 1997)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-116627793372726387?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/116627793372726387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=116627793372726387&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116627793372726387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116627793372726387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/12/o-1-ciclo-virtuoso-tempo.html' title='O 1º Ciclo Virtuoso: Tempo'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-116627737190093788</id><published>2006-12-16T13:54:00.000Z</published><updated>2006-12-16T23:37:33.710Z</updated><title type='text'>O 2º Ciclo Virtuoso: Erro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Quantas vezes já ouviu o cliché “é importante aprender com os erros”? Dá-se de barato a necessidade de desculpabilização que a frase em si carrega. Se “errar é humano”, porque havemos de pedir desculpa pela nossa humanidade? Importante mesmo é saber isto: não perca tempo a aprender com os erros. E sabe porquê? Porque estará a desperdiçar útil e precioso tempo que podia ser gasto a fazer novas e maiores asneiras.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Há alguns decénios atrás, implantou-se uma estranha ideologia da síntese e da busca da perfeição. Não são exactamente almas gémeas, mas bem as podemos considerar as principais fontes do grande disparate que hoje grassa pelas multidões. Da síntese, que germina terceiras vias e religiões panteístas; aplica as equações quânticas ao estudo da psicologia e os princípios da entropia às enxaquecas, não iremos hoje falar. Não é possível explicar tudo pelas mesmas palavras. Esqueçam. Deus não é tudo, nem tudo é Deus. Ele há coisas do Diabo, e enfim…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;O pianista Thelonius Monk afirmou certa vez que não havia gostado de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;um seu concerto por neste terem acontecido “poucos erros”. A perfeição, para Monk, era apenas e só a condição para o aparecimento do erro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Esticada aos seus limites possíveis, então a música abre fendas, foras-de-tempo, desarmonias, que provam ter-se feito o hum&lt;st1:personname st="on"&gt;ana&lt;/st1:personname&gt;mente impossível, atingindo o fracasso. Nenhuma outra ilação se pode daqui tirar, a não ser a vontade de repetir. Muitas vezes Monk conseguia-o; por vezes não. E quando não existiam erros, ficava decepcionado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Muitas coisas -- interessantes -- são erros. A Coca-Cola, por exemplo, é um erro. O empregado da drogaria, na ausência do patrão, não soube o que misturar ao xarope por este inventado e juntou-lhe água gazeificada. O cliente adorou. Tanto que comprou a patente. O resto é História. Ou tudo isto é lenda mas pouco importa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A indústria dos jogos (uma indústria recente que reflecte os tempos com precisão) que é hoje, ao fim de uns meros vinte anos, uma das mais lucrativas do planeta, foi fortemente estabelecida por erros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Peter Molineaux conseguiu fazer o seu primeiro jogo porque um tipo se enganou no número de telefone (queria falar com uma empresa Bull-qualquer-coisa e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;não com a Bullfrog). Passou o tempo a falar de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;uma aplicação para correr sobre os Amiga, mas nunca disse exactamente que aplicação era essa (os tipos da Bull-qualquer-coisa deviam saber) e Molineaux “não se descoseu”. Forneceram-lhe cinco computadores Amiga e começou a desenvolver jogos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A Playstation foi outro erro. Desta feita, a Sony já tinha investido uns bons milhões no desenvolvimento de um protótipo de consola que funcionasse com CD-Rom, quando a Nintendo desistiu da encomenda, optando por manter o “velho” cartucho como suporte do software. Sem saber nada da indústria dos jogos, a Sony, ferida no seu orgulho, resolveu lançar ela mesmo a consola. Que, por acaso, até deu cabo do share de mercado da Nintendo. Assim nasceu a Playstation. “Há males que vêm por bem”, deve sussurar-se nos corredores da Sony. E há muitas histórias do género neste meio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Tom Peters&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; dedicou quase um capítulo inteiro a este assunto. “Ready. Fire! Aim…”, diz ele. Disparar primeiro e apontar depois. A vida é um jogo de arcada a velocidade estonteante. Esqueça a mira. Dispare, indiscriminadamente, para sobreviver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Para Peters, um dos grandes problemas dos negócios é a “armadilha da Coca-Cola”. Imaginemos investir numa ideia que não pode falhar: um refrigerante totalmente à base de açucar e corantes. E o problema é este: se alguém entende o seu conceito, então é porque ele nada tem de novo. Vai ser apenas segundo. Nunca será, realmente, uma “nova Coca-Cola”, mas sim “mais uma Coca-Cola”. Outra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Se você entende o conceito -- afirma Peters -- então os seus competidores também o entendem.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;“In this company, you'll be fired for not making mistakes”. &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Quem o disse foi Steve Ross, antigo patrão da Time Warner, um dos maiores empórios dos media. “Make mistakes faster”, é a fórmula de Andy Groove, presidente da Intel e autor do seminal “Only the Paranoid Survive”. Ludwig Wittgenstein dizia-o doutra forma: “se por vezes as pessoas não fizessem asneiras, nada de inteligente alguma vez seria feito”. O Cubismo é uma asneira. A física quântica é uma asneira. A mutação é uma asneira.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Tom Peters remata: “os erros não são o sal da vida, os erros são a vida. Os erros não devem ser tolerados; devem ser encorajados”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;O que se está a tentar explicar é isto: o erro é, por excelência, o local onde nasce o novo, o surpreendente, o meteórico sucesso. A Coca-Cola e a Playstation são o que são, mas vale pouco a pena repetir-lhes as fórmulas. Em vez disso, descubra-se algo de novo. Tente repetir-se, não o produto, mas sim o erro. Talvez daí nasça algo que a todos espante. O ambiente propício ao erro não é, contudo, muito fácil de criar ou gerir. Isto porque as velhas ideias inicialmente referidas ainda habitam as mentes. Mas há leis que podem ajudar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Bruce Mau&lt;a style="" href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, cujo “An Incomplete Manifesto for Growth” não nos cansamos de citar, dedica dois dos seus versículos a esta questão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Primeiro: “Ame as suas experiências (como amaria um filho feio)”. A alegria é o motor do crescimento. Explore a liberdade de moldar o seu trabalho como belas experiências, iterações, tentativas e erros. Siga o caminho longo e permita-se o prazer de falhar todos os dias.&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Segundo: “Capture acidentes”. A resposta errada é a resposta certa na busca de uma pergunta diferente. Coleccione respostas erradas como parte do processo. Faça perguntas diferentes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A garagem -- não a empresa ou o laboratório -- é um sítio abençoado para a asneira. Foi numa garagem que nasceram os Beatles, os computadores pessoais (Jobs e Wozniak) e a Amazon.com (Jeff Bezos) só para citar três exemplos. Não é difícil entender porquê: releia os versículos de Bruce Mau e repare na compatibilidade de processos. A garagem não é uma garantia de sucesso, mas é divertida. Qualquer que seja o resultado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Pergunte-se: já fiz alguma asneira hoje? Senão, de que está à espera?&lt;a style="" href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;hr  style="height: 3px;font-family:verdana;font-size:78%;" align="left"  width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div  id="ftn1" style="font-family:verdana;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt; Peters, Tom, &lt;i style=""&gt;The Circle of Innovatio - You Can’t Shrink Your Way to Greatness &lt;/i&gt;(Nova Iorque, Vintage, 1999)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div id="ftn2"  style="font-family:verdana;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 9pt; text-align: justify; text-indent: -9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-family:verdana;"&gt; &lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;Bruce Mau apresentou &lt;a href="http://www.brucemaudesign.com/manifesto.html"&gt;&lt;i style=""&gt;An Incomplete Manifesto for Growth&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; em conferência no &lt;i style=""&gt;Doors of Perception 5&lt;/i&gt;/Play, Amsterdão 1998. A versão completa foi publicada na revista I.D. (Nova Iorque: Março/Abril 1999) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="CarcterCarcter"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn3"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="margin-left: 9pt; text-indent: -9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="#_ftnref3" name="_ftn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  lang="EN-US" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-116627737190093788?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/116627737190093788/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=116627737190093788&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116627737190093788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116627737190093788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/12/o-2-ciclo-virtuoso-erro.html' title='O 2º Ciclo Virtuoso: Erro'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-116627725533675424</id><published>2006-12-16T13:45:00.000Z</published><updated>2006-12-16T23:30:54.533Z</updated><title type='text'>O 3º Ciclo Virtuoso: Mutação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  lang="EN-US" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;"Process is more important than outcome. When the outcome drives the process we will only ever go to where we've already been. If process drives outcome we may not know where we're going, but we will know we want to be there"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Bruce Mau, &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: verdana;"&gt;in&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; An Incomplete Manifesto for Growth&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Stan Lee legou-nos uma das ideias mais interessantes dos comics: a de que os super-heróis seriam mutantes, um desvio genético do &lt;i style=""&gt;homo sapiens&lt;/i&gt; a caminho dum &lt;i style=""&gt;homo superior&lt;a style="" href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (na própria terminilogia da Marvel). Os superpoderes deixaram assim de ser o efeito da energia solar sobre um nativo dum sistema de estrela vermelha (Clark Kent) ou de um trágico acidente radioactivo (Peter Parker) para radicarem numa alteração do padrão genético. O Professor Xavier e a sua galeria de &lt;i style=""&gt;X-Men&lt;/i&gt; são humanos que nasceram diferentes, qualitativamente diferentes, e hoje, na era da descodificação do genoma humano, esta tese ficcional de há quarenta anos adquire premonição. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;No final da década passada a microcultura de South Park, S. Francisco, recuperou a ideia dos mutantes. Carla Sinclair e Mark Frauenfelder afirmavam que a sua fanzine “bOING-bOING” era um motor de mudança para o cérebro de “primatas elevados”&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt; &lt;a style="" href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;. Ao modo dos cereais ou das bebidas espirituosas, a “bOING-bOING” criou um lema processual e pro-activo: &lt;i style=""&gt;Mutating Simian Brains Since 1988&lt;/i&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Alguns anos mais tarde, os mesmos Sinclair e Frauenfelder editaram “The Happy Mutant Handbook”&lt;a style="" href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, um faça-você-mesmo o &lt;i style=""&gt;upgrade&lt;/i&gt; das suas sinapses. Instalava-se assim a ideia de que novos poderes cognitivos poderiam estar a surgir nas gerações vindouras (tal como aconteceu ao Professor Xavier que nasceu com poderes psiónicos paranormais) e que a espécie, ou um grupo de elementos dela, podia ainda mudar em em grandes saltos qualitativos mesmo após cento e cinquenta mil anos de história. Ensinou-nos porém o evolucionismo pós-darwiniano que a mudança não é da exclusiva esfera do código genético, por um lado, nem do ambiente, por outro, antes se origina na retroacção brutal entre estes dois factores. Mas o que provocou estas mutações? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Por momentos imaginem uma casa de final do século passado. Paredes de silêncio com uma ou várias fontes de calor: um fogão, uma lareira. Objectivamente, que diferença existe entre esta casa e a caverna com uma fogueira ao centro de há cento e cinquenta mil anos? Quase nenhuma. A comunicação, a informação que aqui atravessa o éter, é fala, gesto e tacto. Suficiente para o sexo e para nos entendermos mas, indubitavelmente, estreita largura de banda para um aparelho cognitivo com o poder de processamento quase inesgotável do cérebro.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;E agora um salto de cem anos: em torno da fonte de calor surgiu um rádio, um telefone, uma televisão, uma playstation, um gameboi, um computador. Fendas enormes no espaço que permitem input e output de quasi infinitos quanta. Informação a rodos. Um autêntico tsunami de bits e pixéis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Timothy Leary defendia a tese de que o cérebro se viciou em quantas, tal como o corpo se vicia em cafeína ou nicotina. Impactado por uma quantidade até agora desconhecida de informação (não numa feira de atracções qualquer ou em experiências laboratorias, mas na pacata intimidade das nossas prórpias casas) o cérebro exige cada vez mais e mais. E, ao que parece, não tem problemas em digeri-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Em Fevereiro deste ano, em Cannes, tive oportunidade de experimentar a Dreamcast, a nova consola de jogos da Sega. Existiam apenas três ou quatro jogos, mas um houve que me irritou particularmente: uma nova versão de Sonic, o porco-espinho hiperactivo. E irritou-me por isto: não consegui sobreviver mais de trinta segundos, tal a velocidade e a quantidade de informação do ecrã. Apercebi-me com grande clareza que aquele jogo já não havia sido desenhado para o meu cérebro, mas para outro, mais rápido, mais potente ou, simplesmente, diferente. Um cérebro que, provavelmente, já não conflui a sua atenção para um centro do campo de visão, mas que age simbioticamente com a superficie bidimensional do ecrã como um todo. Um cérebro cujos processos cognitivos já não estão tão dependentes do primado da visão e que consegue estabelecer um entendimento táctil e imersivo com os píxeis. John Perry Barlow chama-lhes “os nativos” do Ciberespaço. São os mutantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;“O ecrã é a porta de vidro giratória através da qual o meu cérebro recebe e emite os seus sinais”, escrevia Leary na sua seminal descrição de como se tornou anfíbio. O cérebro passou a consumir biliões de bytes e sentiu-se feliz. Dificilmente porém, poderiamos falar de “altos primatas” se esse cérebro se mantivesse sentado numa redoma de pipocas e cerveja no sofá. O primeiro ecrã foi, apenas, uma janela. “Uma janela para o mundo” (tal como foi definida a televisão) é certo, mas apenas isso: uma visão impotente da paisagem para lá do corpo e do espírito. O ecrã que veio mudar isto tudo e que se tornou o motor irremediavél da mutação, é o ecrã do computador pessoal. Já não é uma janela, mas sim uma porta giratória. Traz e leva de volta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Poderá parecer reducionista, mas é exactamente essa capacidade que nos fez acreditar e defender, ao longo destes últimos anos em que existe esta página, que os novos cérebros terão a capacidade de transformar a paisagem e a realidade. “Quem controla os nossos ecrãs programa a realidade que habitamos”, disse Leary. Felizmente que serão controlados pelos mutantes...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;hr style="font-family: verdana; height: 3px;font-size:78%;" align="left"  width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="font-family: verdana;" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 6pt; margin-left: 9.05pt; text-align: justify; text-indent: -9.05pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="EN-US"  style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"  style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;“Homo superior: A commonly used term for describing all superhumanly powerful mutant human beings as members of a new species. Technically speaking, each superhumanly powerful mutant with a different power or set of powers from the others is probably a member of his or her own subspecies of Homo sapiens (Latin for "thinking man.") However, there is some evidence that all superhumanly powerful mutants have some characteristics in common that normal humanity does not share: for example, these mutants all emit distinctive psionic waves. There is also reason to believe that these mutants are the first wave of a newly evolving superhuman race.” in &lt;i style=""&gt;Marvel Directory&lt;/i&gt; (http://www.marveldirectory.com/glossary.htm).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="font-family: verdana;" id="ftn2"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="" href="#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt; A bOING-bOING usou como lema: “the brain mutator for higher primates”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn3"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText" style="margin-left: 9pt; text-indent: -9pt;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt;&lt;a style="" href="#_ftnref3" name="_ftn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  lang="EN-US" &gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt; Fraudenfelder, M., C. Sinclair e Garreth Branwyn, &lt;i style=""&gt;The Happy Mutant Handbook&lt;/i&gt; (Nova Iorque: Riverhead Books, 1995).&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-116627725533675424?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/116627725533675424/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=116627725533675424&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116627725533675424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116627725533675424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/12/o-3-ciclo-virtuoso-mutao.html' title='O 3º Ciclo Virtuoso: Mutação'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-116627670635119491</id><published>2006-12-16T13:43:00.000Z</published><updated>2006-12-16T23:28:36.746Z</updated><title type='text'>Narrativa e Interactividade</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-size:14;" &gt;(1)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O termo «multimédia» está a ser gradualmente substituído por «new media». A intenção, suponho, é a realçar certas características inerentes a estes novos media em vez de se falar de uma integração audiovisual. E de todas essas características, há uma que claramente se destaca: a interactividade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas como palavra de ordem – ou conceito de ordem – destes tempos de novos media, a interactividade é abusada e abusiva. Digo eu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Será que tudo, a partir de agora, tem mesmo de ser interactivo? Uma das maiores contradicções de termos (aquilo que os americanos chamam de «oxymoron» e que nós já deviamos ter encontrado uma palavra que o traduzisse) é a «televisão interactiva». Perdão? Um sofá + uma cola + pringles e/ou gelado + um ecrã = fazer o quê? Interagir? Desculpe, mas preferia ficar aqui sentado a sentir-me estúpido. É possível? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nem todos queremos interactividade nas mesmas coisas e, sobretudo, nas mesmas quantidades. Há pessoas que têm cães e pessoas que têm gatos. Os primeiros dão um trabalhão e os segundos nem por isso. Eu não quero ter uma relação activa com a minha televisão. Se ela um dia falar comigo provavelmente terei um enfarte. Talvez queira jogar Playstation em rede, mas isso é outra história, não é? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Porque uma coisa é a mediação, a possibilidade de estabelecer comunicação nos dois sentidos, e outra são programas, conteúdos e narrativas interactivas. Eu quero interagir com pessoas, não com programas. Eu quero falar com pessoas, não com conteúdos. Eu quero que me contem histórias sem ter de ser eu a decidir se a Capuchinho escapa ao Lobo ou não. Nem costumizar se a Capuchinho é vermelha, verde ou azul e branca.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Provavelmente nem todos partilharemos desta opinião, mas é o que penso e o que a experiência me ensinou como mais interessante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vejamos dois modelos de narrativa: linear e não-linear. Dois exemplos daquilo que funciona: quando quero uma boa ficção linear, leio um livro. De todos os media, ainda é o melhor para se colher uma boa história (porque é o mais eficaz na transmissão de autoria e estilo). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por outro lado, as simulações são o único exemplo capaz de uma narrativa realmente aberta, não-escatológica e não-linear. Programas de vida artificial como «Creatures» ou simulações como «SimCity» limitam-se a criar um certo número de regras pelas quais funciona um universo e tudo o que aí acontece é altamente aleatório. Quanto maior o número de regras e sua complexidade, maior o efeito de imersão num caos que reflecte a realidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;«Se a narrativa é uma técnica para extrair significância do ser, ordem da contigência, então a interactividade pode ser vista como o seu inverso, a técnica para extrair ser da significância, de gerar a simulação de contigência de princípios básicos», como defende Andy Cameron (fundador da companhia Antirom e professor de media digital no Hypermedia Research Center da Universidade de Westminster).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Entre estes dois modelos quase radicais só existe... a ilusão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os videojogos de aventura e RPG, que são hoje os programas mais desenvolvidos em termos de narrativa interactiva, funcionam através de níveis. Independentemente das escolhas que os jogadores realizaram durante o primeiro nível – o que lhes deu uma certa sensação de liberdade e de efectivamente conduzirem o rumo dos acontecimentos – eles são levados a um ponto comum: a passagem para o segundo nível. Que é igual para todos. E o mesmo no terceiro nível, quarto, etc. Quanto muito, o último nível dará acesso a dois ou três finais diferentes. Não está em causa a capacidade deste sistema produzir entretenimento e prazer. Mas este é, a meu ver, um tipo de narrativa e interactividade que não me satisfaz minimamente. Eu preciso da interactividade, isso sim, para jogar Quake em rede. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Hoje não me apetece tomar decisões. Conta-me uma história. Encanta-me. Pode ser? &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=";font-size:14;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style=";font-size:11;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A narrativa é sempre um olhar (semioticamente falando) um ponto de vista, subjectivo, pleno de intencionalidade; manipulado pelo(s) narrador(es).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não admira pois que Andy Cameron ( fundador da companhia Antirom e professor de media digital no Hypermedia Research Center da Universidade de Westminster) defenda que «estórias e interactividade não parecem misturar-se muito bem. Talvez seja necessário enfrentar o facto de que jogos e estórias são estruturadas fundamentalmente de modos diferentes, e que a interactividade é para os jogos, não para as estórias». &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E eis que um dos mitos do actual multimedia cai por terra. Mas vamos ver como é.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O línguista Bernard Comrie distingue duas formas de tempo no que se refere à linguagem: o aspecto (aspect) e o partícipio (tense). O partícipio designa o tempo em que as situações relatadas acontecem: no passado, no presente ou no futuro. Fazem a distinção entre o tempo em que as situações ocorrem e o momento em que são formuladas na fala. Por sua vez, o aspecto distingue entre o perfectivo (perfective) -- uma situação vista desde «fora», como terminada -- e o imperfectivo (imperfective) -- uma situação vista desde «dentro», como ainda a decorrer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A narrativa é, assim, uma representação análoga ao aspecto perfectivo; enquanto a representação da interactividade se aproxima ao aspecto imperfectivo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Segundo Cameron, isto sugere que «os aspectos perfectivo e imperfectivo, e por analogia a narrativa linear e a simulação interactiva, correspondem a dois modos fundamentalmente diferentes de olhares (spectatorship)».&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A simulação interactiva designa as condições para os acontecimentos, e não os acontecimentos &lt;st1:personname productid="em si. Tomemos" st="on"&gt;em si. Tomemos&lt;/st1:personname&gt; como exemplo um simulador de Fórmula 1: a pista, a velocidade, o carro, são as condições, mas não um acontecimento. O tempo é: tempo real, agora, sem construção verbal de&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;passado ou futuro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Não existe uma narrativa linear; o resultado -- ou o final -- está em aberto (embora, pelo menos no meu caso, saiba que o final é estampar-me violentamente:)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mais tarde, se recordarmos o jogo, este realmente se torna narrativa, adquirindo as respectivas características que de seguida identificamos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao contrário de um jogo, a narrativa é sempre a explicitação de acontecimentos que já ocorreram. Mesmo que a acção decorra no futuro cronológico ou o narrador utilize o presente como tempo verbal, há, como soi dizer-se, «princípio, meio e fim», fechados sobre si mesmo, numa construcção que deixou de fora tudo o resto «que não aconteceu». &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O que nos leva a concluir que uma obra é mais narrativa quanto menos interactiva; que é mais história quanto menos o é jogo, e vice versa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;«Se a narrativa é uma técnica para extrair significância do ser, ordem da contigência, então a interactividade pode ser vista como o seu inverso, a técnica para extrair ser da significância, de gerar a simulação de contigência de princípios básicos.»&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eis o grande desafio que se coloca aos programadores, produtores e argumentistas. A narrativa é, essencialmente, manipulação -- e o êxito das obras narrativas, seja em livro, em filme ou outro, dependem em muito da autoria, do ponto de vista e das técnicas de narração (nem vale a pena dar exemplos). Do modo como os autores conseguem impregnar os seus leitores e espectadores do seu universo ficcional (ok, vou dar exemplos: Tolkien, Star Wars, Moebius).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas não é de desesperar, digo eu. A interactividade passa mais por entregar o protagonismo das histórias ao seus leitores, do que lhes conferir um diploma de autores-eles-mesmo. Afinal, sempre foi assim; trata-se agora de explorar ao máximo as novas técnicas -- simulação, imersão, etc. -- para expandir a influência psicosomática das estórias e jogos, em suma: transformar o leitor numa extensão do ficção. Ou como disse, mais sinteticamente, Andy Cameron: «Em vez de pessoas sem histórias, a interactividade oferece a promessa de pessoas dentro das histórias; e em vez do fim da narrativa, uma explosão de experiências narrativas pessoais dentro da máquina».&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-116627670635119491?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/116627670635119491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=116627670635119491&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116627670635119491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/116627670635119491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/12/narrativa-e-interactividade.html' title='Narrativa e Interactividade'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114598137603330218</id><published>2006-04-25T17:09:00.000+01:00</published><updated>2006-04-28T12:37:28.643+01:00</updated><title type='text'>O tostão global</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;A primeira vez que ouvi falar do "tostão global" estava eu à conversa com &lt;a href="http://people.i-dat.org/detail/?ra" target="new&amp;quot;"&gt;Roy Ascott&lt;/a&gt;, no Art Futura de Madrid, já há uns anos (a entrevista está &lt;a href="http://bakinterview.blogspot.com/2005/02/roy-ascott-realidade-est-em-saldo.html" target="new&amp;quot;"&gt;aqui&lt;/a&gt; publicada). A certa altura, questionei-o sobre o fosso que poderia vir a existir entre os países com diferentes indíces de conectividade, um outro eufemismo para definir o fosso entre países ricos e países pobres.&lt;br /&gt;E responde Ascott: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"O demótico em si mesmo garantirá que o mundo todo ficará telematicamente ligado. Se olhar para o transistor -- o transistor de rádio -- duvido que haja algum local do mundo onde ele não esteja presente. Sabemos porquê: é um instrumento político poderosíssimo, etc. O demótico vê o mundo do mesmo modo. Tudo pelo que espera neste momento é pelo dinheiro digital. Uma vez que a criptação seja absolutamente segura não haja dúvidas que "eles" -- eles sendo as grandes corporações, o mercado em todas as suas formas -- alcançarão toda a gente. Sabe como é o mercado, se alguém lhe disser: "se fizeres isto ou aquilo receberás um tostão" você responde "um tostão? vá-se lixar!". Mas o mercado nunca diz isso. Se é um tostão, é um tostão em todo o mundo. Não interessa quão pobre é a gente, basta olhar para Nova Iorque -- há ali gente pobre para além do que é credível -- o mercado ainda assim está lá, o McDonalds está lá. Por isso a telemática também lá estará"&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;Na altura, a referência à marca de hamburguesas passou mais ou menos despercebida. Mas vejam: não será o negócio do franchising uma das primeiras aproximações ao mercado da Aldeia Global? O produto é formatado para um consumidor global. Vende-se a mesma coisa em todo o lado. Ganha-se, enfim, um tostão em toda a parte.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;A margem de lucro numa hamburguesa é praticamente residual. As bebidas -- já que não vendem vinhos de marca -- também não permitem margens dilatadas já que refrescos e cervejas têm o seu preço muito condicionado pela concorrência. Que raio de negócio onde se ganha tão pouco! Será?&lt;br /&gt;Claro que não: enquanto um bom restaurante – daqueles cuja margem nas garrafas de vinho é enorme -- serve algumas dezenas de refeições por dia, o Burger King serve 1404 clientes por dia e por restaurante. Ou, em todo o mundo, 14 milhões de clientes por dia!&lt;br /&gt;Com uma cadeia de 10 118 restaurantes instalada num total de 53 países, o Burger King está ainda a alguma distância da McDonalds: 24 800 restaurantes, instalados em 114 países, que resultaram em receitas de 36 milhares de milhões de dólares o ano passado. Embora sem número oficiais, basta fazer umas contas de cabeça para estimar que a rede McDonalds serve cerca de 30 milhões de clientes por dia. E é aqui que reside o segredo.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;A margem de lucro do negócio das hamburguesas mede-se aos centavos e aos tostões, não aos escudos. Mas este tostão é um "tostão global". Igual no McDonalds de Montecarlo, junto à exposição permanente dos automóveis do princípe Rainier (vários Ferrari novinhos em folha) ou nos McDonalds a juzante das favelas do Rio de Janeiro (muitos «carochas» a cair de podre). O serviço é basicamente o mesmo, o produto também, e o seu preço – embora relativamente condicionado pelas condições locais – produz a mesma mais-valia.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;O tostão global das hamburguesas, tal como o tostão das colas e de outros negócios globais, é uma das mais acutilantes metáforas do novo paradigma económico. Alguns dos mais carismáticos exemplos da economia telemática – as livrarias Amazon e Barnes and Noble, a discoteca CDnow, a agência de viagens GoFly – fazem a mesma coisa que as hamburguerias: vendem em todo o mundo, com uma margem de lucro diminuta. O número de clientes satisfeitos (suponho) em todo o mundo dá a dimensão e a massa crítica suficiente para o seu negócio prosperar. E quanto maior é essa massa crítica, menores são os preços e melhores e mais variados os serviços prestados (há mesmo um novo modelo de vendas que faz baixar o preço do produto proporcionalmente ao número de encomendas). Constrói-se assim um ciclo virtuoso que irá perdurar durante muitos anos.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;Mas existem, claro, diferenças entre estes modelos. A Amazon, a CDnow ou a GoFly podem descer ainda mais os seus preços porque os custos de operação não incluiem uma mão-de-obra vasta nem espaços fisícos, sejam pontos de venda ou de atendimento. Os restaurantes da cadeia Burger King empregam, mundialmente, cerca de 300 mil pessoas. Adicione-se os custos de mais de dez mil pontos de venda. Imaginem agora quanto a Amazon, a Barnes and Noble, a CDnow e a GoFly poupam por operar num mercado virtualizado!&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;Note-se que as hamburguesas franchisadas são um negócio de meio século. As lojas virtuais, essas, são meras debutantes num mercado que dá agora os seus primeiros passos. Custa muito imaginar porque sobem tanto as suas acções na bolsa?&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"The better-gets-cheaper magic&lt;/span&gt;", escreveu &lt;a href="http://www.kk.org/" target="new&amp;quot;"&gt;Kevin Kelly&lt;/a&gt;. E a varinha mágica que permite esse milagre é a ambição do tostão global. Tal como nas hamburguerias, as margens de lucro do negócio das telecomunicações tendem hoje para o zero (nos mercados liberalizados, claro; porque por cá é outra conversa). Por essa razão, as operadoras de telecomunicações – e todos os serviços que assentam em cima das suas redes, atrevemo-nos a dizer – terão de partir em busca desse tostão global. Podemos dormir descansados, então. O sonho cumprir-se-á.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114598137603330218?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114598137603330218/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114598137603330218&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598137603330218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598137603330218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/o-tosto-global.html' title='O tostão global'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114598131023720998</id><published>2006-04-25T17:07:00.000+01:00</published><updated>2006-04-28T12:50:47.413+01:00</updated><title type='text'>O super-organismo da informação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 204); font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;Quando pensares um grande projecto, escreve-o na poeira &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 204); font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;para que ao minímo escrupúlo, nada reste dele&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 204);font-family:verdana;" &gt;Lao Tsé&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;[ este texto foi publicado na revista Ideias &amp; Negócios]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No caso a que interessam particularmente estas páginas – o mundo das redes e o mundo do virtual -- não é possível deixar de vislumbrar uma certa ironia nesta coisa do início. Primeiro, porque está tudo, efectivamente, no começo. Segundo, porque a experiência já não é o que era. Ou seja, não há fórmulas, muito embora existam exemplos que, porém, de pouco nos servem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Numa sociedade em velocidade acelerada pouco há para aprender com os erros. Já não há tempo para o aperfeiçoamento e a busca do estado-da-arte; nem espaço para a cópia e o mais-do-mesmo . A única coisa que nos espera é errar, errar, errar… até acertar. Parece aterrador? É sim, mas também não deixa de ser divertido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A MENSAGEM DA TECNOLOGIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O que caracteriza o momento actual é a súbita deslocação da tecnologia: desde a periferia para o epicentro da vida humana. A alavanca apenas potencia o músculo e, nesse contexto meramente manual, o homem assume ainda o controlo. Mas a “nova” tecnologia – a alta tecnologia, as tecnologias da comunicação e os media – vieram afectar a um nível profundo a expressão, a percepção e o pensamento humanos, varrendo pelo caminho os velhos paradigmas do poder e da economia. Uma alavanca para a mente, se assim nos é permitido dizer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dito de outra forma – de uma forma mcluhanista -- a tecnologia é o meio que transforma, hoje e radicalmente, as leis pelas quais regemos a nossa(s) sociedade(s) e a nossa(s) economia(s). E a sua mensagem são os efeitos, psiquícos e socias, individuais e colectivos, no homem. O modo como o meio afecta e transforma as nossas vidas é mais importante do que o modo como afecta o que pensamos. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Os efeitos da tecnologia não ocorrem ao nível das opiniões ou conceitos, mas alterando os rácios dos sentidos e os modelos de percepção, continuadamente e sem resistência”&lt;/span&gt;, escreveu &lt;a href="http://www.marshallmcluhan.com/main.html" target="new&amp;quot;"&gt;Marshall McLuhan&lt;/a&gt;. Um mundo em que os custos de operação do marketing e da publicidade são, normalmente, muito superiores aos da cadeia de produção industrial. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O planeta foi várias vezes visceralmente afectado por meios que reconfiguraram o espaço e diminuíram a distância: o comboio, a auto-estrada, o avião. Mas nenhuma dessas reconfigurações foi tão radical quanto a realizada pela electricidade. A electricidade matou, definitivamente, a distância, acentuando a simultaneidade entre a acção e a retroacção. Sem tempo de resposta e sem distanciamento, somos obrigados a procurar novas respostas, novas formas de lidar com um mundo que implode pela força das redes e da electricidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A COMUNICAÇÃO É A ECONOMIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Diz &lt;a href="http://www.kk.org/"&gt;Kevin Kelly&lt;/a&gt; no seu último livro (já voltaremos a ele): &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esta nova economia tem três características particulares: é global. Favorece coisas intangíveis – ideias, informação e relações. E é intensamente interligada. Estes três atributos produzem um novo tipo de mercado e sociedade, que tem as suas raízes nas ubíquas redes electrónicas&lt;/span&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Global, intangível e interligada! Não será demais lembrar: o contrário de  mercados locais, de matérias-primas e átomos, e compartimentado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Todas as economias assentam em redes e energia. Desde o paleolítico, em que as pistas para as minas de siléx condicionavam os movimentos das tribos, até aos exemplos mais modernos: o caminho de ferro, a rede viária, a aviação. A electricidade faz um movimento semelhante: do telégrafo ao telefone e deste à Internet. Kevin Kelly argumenta que a comunicação – da qual falamos quando referimos os media e a tecnologia do digital – não é um um sector da economia mas sim que a comunicação é a economia. Ao desvirmo-nos das velhas redes espaciais para as redes saturadas de tecnologia – as redes digitais – estamos também a desviar-nos do tipo de transacções, valor, e bens que antes referiam riqueza: do tangível para o intangível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;NOVA ECONOMIA, NOVAS REGRAS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;É chegado o momento de aconselhar aos leitores a rápida e atenta leitura de &lt;a href="http://www.kk.org/newrules/" target="new&amp;quot;"&gt;New Rules for the New Economy&lt;/a&gt; -- Kevin Kelly, Penguin Books, 1998. O editor-executivo da Wired publicou, nessa revista e à dois anos atrás, um artigo com o mesmo título onde delineava doze princípios gerais do funcionamento da “nova economia”. Um ano depois, Kelly reduziu estes a apenas dez e condensou-os num livro admirável e surpreendente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Algumas das ideias deste livro são frontalmente opostas ao senso comum em vigor e, por essa razão, a sua leitura é tão urgente. Damos alguns exemplos... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;-- O valor está na abundância e não na raridade (os diamantes já não valem nada comparados com uma rede de telemóveis). “Pense na primeira máquina de fax moderna que saiu da fábrica em 1965. Apesar dos milhões de dólares gastos na sua I&amp;D, não valia nada. Zero. A máquina de fax que se seguiu deu à primeira algum valor. Já havia alguém a quem enviar um fax.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;-- O gratuito produz riqueza (vejam o caso da indústria de free/share/software, olhem para serviços como o Yahoo!, Hotmail e Geocities). “Hoje em dia é raro o software que não se introduza no mercado gratuito como uma versão beta. Há cinquenta anos atrás, a ideia de lançar um produto inacabado teria sido considerada cobarde, vergonhosa ou idiota”. E se você chegasse ao seu Conselho de administração a propor dar em vez de vender, seria sumariamente despedido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;-- Abandonar um produto ou um serviço quando este atinge a sua rendabilidade máxima de modo a não cair na curva do obsoleto (seria uma boa altura para desistir do fabrico de fibras ópticas). A domesticação do desconhecido significa, inevitavelmente, o abandono do que é conhecido e bem sucedido; Recusar a harmonia, abraçar a instabilidade. Porque a turbulência é hoje norma e devemos inovar sempre. Na expessa teia da Economia de Rede o ciclo “descobre, nutre, destrói” acontece mais rapidamente e com maior intensidade que nunca. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;-- Não resolver problemas. Esta é, talvez, das leis mais importantes! “Quando estão a resolver problemas, estão a investir nas vossas fraquezas; quando procuram oportunidades, estão a confiar na rede”. Ou, na forma de slogan imortal: não resolva os problemas, crie oportunidades. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fui capaz de o convencer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Veja as redes como um organismo: vivo, criativo, mutável. Em adaptação contínua e trocas de energia constantes, a informação fluindo e alterando-lhe o comportamento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Veja a economia, que assenta hoje numa rede só comparável a uma rede neuronal, como um organismo também. Esqueça as equações e faça ginástica. Não pense duas vezes a mesma ideia. Faça mesmo antes de pensar, sem medo de errar. E prepare-se para a aventura da sua vida. Pode ser difícil, mas as oportunidades são inesgotáveis.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114598131023720998?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114598131023720998/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114598131023720998&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598131023720998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598131023720998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/o-super-organismo-da-informao.html' title='O super-organismo da informação'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114598121436728805</id><published>2006-04-25T17:06:00.000+01:00</published><updated>2006-04-25T17:14:37.316+01:00</updated><title type='text'>Já não podes regressar a casa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204);font-family:verdana;" &gt;Em tempo de guerra, a verdade é sempre a primeira vítima&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 204);font-family:verdana;" &gt;Veran Matic&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;[parte I]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A semana que passou ficou marcada (ou manchada?) pelos bombardeiros da NATO a despejar morte sobre a Sérvia. Em primeiro lugar, deixem-me contextualizar o conflito: não tenho partido, nem sequer sei exactamente quais as baralhadas políticas que por lá se passam (consequência da minha desintoxicação dos media, suponho). Não conheço os maus e os bons, nem reconheço a uma tragédia desta proporção qualquer sentido de maniqueísmo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E, de seguida, permitam-me relatar o que me aconteceu: nestes últimos dias tenho lido (email) e ouvido (RealPlayer) vozes de quem se encontra no âmago conflito. Entraram-me pelo computador, pelo ecrã, pela casa, pelo coração adentro. Subitamente, o grito de Tom Peters -- «Distance is Dead! YIKES!» -- assumiu o seu significado total: mais consciente mas também intoleravelmente amargo. O media Internet, como extensão do meu próprio corpo e dos meus sentidos, levou-me directamente ao cenário de guerra: em tempo real, em sentimentos e aflições reais, junto a pessoais reais. Enfim, a realidade sempre a vivemos nós (apesar do que muitos tolos por aí dizem de quem anda pela net, pelo IRC, etc.) mas nunca tão desmediatizada e tão próxima como agora. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A história não demora muito a contar: a B92 é uma rádio independente jugoslava que na última edição dos Prémios Europeus da MTV foi galardoada com um prémio especial pelo seu desempenho durante a guerra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Na madrugada de dia 24, cerca das três da manhã, o editor da B92 - Veran Matic - foi detido nas instalações da própria rádio e levado para interrogatório que se estendeu por oito horas. Dois técnicos do Ministério Federal das Telecomunicações, apoiados por cerca de uma dezena de polícias, confiscaram o transmissor da B92 de acordo com uma ordem emanada do referido minisitério que exigia a cessação imediata das actividades da rádio. A apreensão foi justificada como «temporária» e «preventiva» (de futuras transmissões por parte da estação de rádio). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Segundo as autoridades jugoslavas, a B92 teria excedido o nível máximo de desvio permitido (300W) nas suas transmissões. Pouco importa se isto é verdade ou mentira, o que importa é que é... conveniente. Porque a B92 é, e permanecerá, uma rádio independente. Ou perecerá pela violência. Até este momento, porém, resiste com coragem invulgar, num cenário de plena adversidade: as autoridades prepotentes por um lado, os coibóis da Nova Ordem Internacional pelo outro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas se a polícia calou o transmissor de rádio, não conseguiu - por falta de competência, muito provavelmente - calar a emissão via Internet. Desde Dezembro de 1996 que a emissão da B92 é captada digitalmente pela BBC Worldservice e retransmitida via satélite. A B92 continua, assim, a transmitir via RealAudio para todo o mundo, largamente excedendo o nível de atenção que as autoridades jugoslavas estão dispostas a tolerar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(A B92 pode ser escutada a partir do URL http://www.b92.net)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Na própria noite de 24 de Março, uma série de organizações holandesas colocou no ar um website (em http://helpB92.xs4all.nl) destinado a apoiar os media independentes da Sérvia e do Kosovo, difundindo as suas notícias e angariando fundos e equipamento. Em Portugal, notícias e apontadores para estas organizações podem ser encontradas no website da Rádiopirata (em http://radiopirata.terravista.pt).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As mensagens de correio electrónico foram, entretanto, chegando: a descrição de como foi gravado o vídeo (também disponível no website da B92) do bombardeamento do aeroporto de Batajnica, as notícias das escolas encerradas, o racionamento de combustível, a flutuação cambial, a evacuação dos judeus para Budapeste, a expulsão de jornalistas oriundos dos países que participam no ataque da Nato, etc. Um email datado das 22.46h de 24 de Março diz apenas isto: «Mobilização geral anunciada há apenas 30 minutos atrás». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;«As ruas de Belgrado estão vazias»... «esperamos ataques massivos esta noite»... «caros amigos, as sirenes anunciam novos bombardeamentos... estamos na OpenNet...»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Já não há distância. Já não é possível não escutar as sirenes. Já não é possível voltar a casa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando aqui falo - tantas, tantas vezes - da Aldeia Global, costumo adicionar-lhe ainda um outro conceito: «experiência». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Algures, sei que a Aldeia Global é algo que, primeiramente, se sente. São os efeitos e não as palavras, é a mensagem e não o conteúdo, que interessam. A «conversão», como lhe chamava o mestre, não consiste na compreensão dos conceitos, mas em experimentar os seus efeitos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;À força de nos mesmerizarmos na escapelização desses conceitos, acabamos por vezes alheados do que em primeira instância nos obrigou a acreditar: esse sentimento profundo de que os outros vivem em nós e nós -- distribuidos, fragmentados e amados - habitamos o todo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dito de outra forma, caímos na tentação de enviar os efeitos profundos da Aldeia Global para uma esfera conceitual, onde há lugar às belas palavras, aos sonantes raciocínios e aos clichés da moda, mas pouco ou nada à própria experiência. E não me entendam mal: mea culpa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As bombas de Belgrado, que explodem nos emails que a Katarina nos envia, devolvem-nos, porém, a experiência. Devolvem-nos o sentido profundo da Aldeia Global.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;«Os circuitos eléctricos derrubaram o regime do "tempo" e do "espaço" e derramam em nós, continua e instantaneamente, as preocupações de todos os outros homens. Reconstituiram o diálogo numa escala global. A sua mensagem é a Mudança Total, terminando o paroquialismo psíquico, social, económico e político. Os velhos agrupamentos civícos, nacionais e estatais tornaram-se disfuncionais. Nada pode ser tão díspare ao espírito da nova tecnologia quanto "o sítio para tudo e tudo em seu sítio". Já não podes regressar a casa» &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;("The Medium is the Massage", M. McLuhan e Quentin Fiore, 1967)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A televisão deu-nos a guerra em directo. Mas era uma imagem -- «já nada acontece aos homens, tudo acontece às imagens», escreveu Deleuze. Mas enganou-se redondamente. A internet dá-nos (ou devolveu-nos?) a experiência da guerra. Já não é uma imagem. Não é palavra nem conteúdo. É a mensagem. E a mensagem sussura-te: já não podes regressar a casa...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[parte II]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme estipula a Lei de Murphy, quando as coisas parecem não poder piorar mais, elas realmente pioram. E depois o ciclo recomeça. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A rádio B92, de que aqui falámos na semana passada, foi encerrada na sexta-feira, dia 2 de Abril, e o seu director -- Sasa Mirkovic -- «oficialmente» demitido do seu cargo. A entidade que supervisiona a estação nomeou um novo director que, apesar das instalações terem sido encerradas, ordenou aos jornalistas que aparecessem ao trabalho ontem (segunda-feira) de manhã (eu escrevo domingo à noite).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A última mensagem ouvida na B92 foi... «mantenham a esperança».&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando a 24 de Março as autoridades sérvias confiscaram o transmissor da B92 (tal como aqui relatámos) a rádio manteve-se «no ar» através da Internet (RealAudio), satélite (BBC) e onda média. O site da B92 recebeu, em apenas sete dias, quinze milhões de visitas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Este encerramento não foi, contudo, um acto isolado. A semana que entretanto decorreu foi pródiga --segundo os relatos que nos chegam - em actos de repressão aos media. Uma dezena de re-transmissores das notícias da B92 pertencentes à ANEM-Association of Independent Electronic Media foram igualmente fechados pelas autoridades governamentais, enquanto muitos outros optaram por cessar a sua actividade, já que a única coisa que há hoje para emitir é a propaganda de guerra de Milosevic. No Kosovo, as duas mais importantes rádios alternativas em língua albanesa -- a Koha e a Radio 21 - foram destruídas e o seu pessoal está em fuga. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O controlo da tecnologia não é coisa fácil; isso ficou provado pela semana em que a B92 ainda sobreviveu através da Internet . Muito mais fácil é perseguir e atingir directamente o que está «na ponta» da tecnologia e dá sentido aos media: as pessoas, os jornalistas, os resistentes. Os irreflectidos e (até agora) inconsequentes ataques da NATO, e o imediato «estado de guerra», vieram dar a Milosevic os meios e a força para exterminar os media independentes da Jugoslávia. E, da caminho, os focos libertários.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Veran Matic, o editor da B92 que foi preso e interrogado na semana passada, expõe a situação de um modo só possível a quem está por dentro dela. Ideias simples como: «cada míssil que atinge o solo exacerba o desastre humanitário que a própria NATO supostamente devia prevenir» ou «com as bombas a cair por todo o lado, ninguém os consegue persuadir (aos sérvios) que isto é apenas um ataque ao seu governo e não ao seu país». Chegou o momento da propaganda e da lavagem ao cérebro. Tal como a nós o fazem coronéis e generais estrelados, tentando explicar-nos o inexplicável e justificar com seráfica calma o imenso desastre das suas acções.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nas palavras de Zoran Zivkovic, o autarca oposicionista de Nis, lê-se o desespero e a desorientação de um povo: «Há vinte minutos atrás a minha cidade foi bombardeada. As pessoas que aqui vivem são as mesmas pessoas que votaram pela democracia em 1996, as mesmas pessoas que protestaram durante cem dias após as autoridades tentarem negar-lhes a vitória nas eleições. Eles votaram pela mesma democracia que existe na Europa e nos estados Unidos. Hoje a minha cidade foi bombardeada pelos estados democráticos dos EUA, Reino Unido, França, Alemanha e Canadá! Faz algum sentido isto?». Não, não faz. Porque ninguém bombardeia a Turquia para salvar os curdos ou a Indonésia para reagatar os mauberes. Não é assim que se faz a guerra, mesmo se ela fosse inevitável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os sérvios democratas sentem-se traídos, afirma Veran Matic. Um dos reflexos imediatos dos bombardeamentos é a supressão dos agentes da democracia e da liberdade de expressão dentro da própria Jugoslávia - quer pela perseguição governamental, quer fruto da mobilização geral. Democracia e liberdade que são (ou seriam) um inimigo para Milosevic muito mais efcaz que os exércitos da NATO e, sobretudo, mais legítimo. Com um futuro pela frente. Com um plano e uma ideia para depois das bombas. Um exemplo paradigmático do que se está a passar é este: a introdução da «corte marcial» e até (fala-se) da re-introdução da pena de morte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;«As bombas da NATO rebentaram com as sementes de democracia que germinavam no solo do Kosovo, da Sérvia e do Montenegro e garantiram que elas não brotarão novamente por muito tempo», diz Matic. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nestas alturas, não há meios melhores que os outros. Há, claro, os discursos do poder condensados em imagens televisivas de Dejá Vu. Os campos, os refugiados, a fome, a dor. Iguais em todo o lado, independentemente da cor da pele e da paisagem. Imagens atrozes, sempre iguais, que vão servindo para a voz-off da ocasião e para a legitimação dos discursos inextricáveis do poder. Podiam ter sempre a mesmavideocassete à mão de semear: quem viu um rosto de dor não viu todos os rostos de dor? Ou dito de outra forma: como podemos nós identificar esses rostos de dor? Não o fazemos, ouvimos apenas as vozes, por detrás das imagens, lavando-nos os lóbulos. Lixívia para o cérebro, Chomsky tem razao, Leary tinha razão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;«O público internacional precisa de saber a verdade sobre o que está aqui a acontecer. Mas num espaço sem informação rigorosa, tudo o que podemos ouvir é a propaganda da guerra - a retórica do Ocidente inclusa. Claro, em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade».&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114598121436728805?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114598121436728805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114598121436728805&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598121436728805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598121436728805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/j-no-podes-regressar-casa.html' title='Já não podes regressar a casa'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114598110717865973</id><published>2006-04-25T17:02:00.000+01:00</published><updated>2006-04-25T17:05:07.183+01:00</updated><title type='text'>O deus das máquinas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Francisco Teodoro MacMurtrie Figueiroa Abril nasceu no Novo México em 1961. Hoje constrói robôs (que, na maior parte dos casos com propriedade, insiste em chamar máquinas).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Em Abril deste ano e no Lab de S. Francisco, Chico MacMurtrie e o seu grupo -- Amorphic Robot Works -- levou a cabo o seu mais ousado espectáculo até hoje: «The Amorphic Evolution», um misto de performance e concerto musical, interpretado por cerca de cinquenta máquinas. E máquinas porquê? Porque, com excepção de «O Trepador» (um robô de forma antropo-simiesca que trepa por uma corda -- faz lembrar um ministro a subir a um coqueiro -- e desce quando atinge uma determinada altura) todos os outros mecanismos de MacMurtrie são controlados à distância através de um software proprietário que corre em Mac. Ou seja, as «criaturas» de «The Amorphic Evolution» não são dotadas de qualquer cérebro (leia-se: sensores, programa, etc.). São desenhadas para realizar um certo movimento como, por exemplo, tocar num tambor. Se retirarmos o tambor, porém, a «criatura» continuará a tocar no vazio, cegamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas apesar deste lado absolutamente mecânico, há algo que nos perturba intensamente na obra de MacMurtrie: por um lado o antropomorfismo das &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;máquinas; e por outro as metáforas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Desde as formas quadrúpedes que caminham em direcção à forma humana que encima uma esfera (o planeta); dos trejeitos sexuais; do mecanismo construtor de paisagens; ou, finalmente, a metáfora ao «grande consumidor» que se auto-destrói pelo crescimento desenfreado; Chico MacMurtrie consegue, de uma forma admirável, fazer cruzar várias narrativas pelo espaço das suas performances. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ao contrário de muitos outros trabalhos neste campo, as máquinas de MacMurtrie funcionam como personagens num imenso Caos (apenas aparente, MacMurtrie é o Deus e o software a sua palavra) incapazes de conhecer o seu próprio destino ou devir, mas operando como um colectivo donde se extrai significados. OOps! Estaremos a falar da humanidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Desse imenso teatro dos imbecis?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;«De acordo com Dennett, não há lugar nenhum que controle o comportamento, lugar nenhum que crie o «caminhar», lugar nenhum onde a alma do ser resida. Dennett: "O que há com os cérebros é que quando olhas lá para dentro descobres que não está ninguém em casa" (...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;diz Dennett que "o significado emerge da interacção distribuída de muitas pequenas coisas, cada uma das quais não significa nada"(...) "Não existe um fluir da consciência. Existem eclosões múltiplas de consciência; vários e diferentes fluxos, nenhum dos quais pode ser distinguido individualmente como o fluir". Em 1874, o pioneiro da psicologia, William James, escreveu: "...a mente é, a cada estádio, um palco de simultâneas possibilidades. A consciência consiste na comparação destas com cada uma delas, a selecção de algumas, e a supressão do resto...". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O conceito da cacofonia de ideias alternativas combinando-se para formar o que nós entendemos como inteligência unificada é o que Marvin Minsky chama "sociedade da mente". Minsky diz, simplesmente, "Podes construir uma mente de muitas pequenas partes, cada uma delas sem qualquer inteligência". Imagine, sugere ele, um simples cérebro composto por especialistas separados, cada um deles preocupado com um importante objectivo (ou instinto) como assegurar alimento, bebida, abrigo, reprodução, ou defesa. Individualmente, cada é um imbecil; mas juntos, organizados em vários arrajos distintos numa teia hierarquizada de controlo, podem criar o pensamento. Minsky atesta enfaticamente: "Não se pode ter inteligência sem uma sociedade da mente. Só se conseguem coisas inteligentes a partir de coisas estúpidas".»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Como falámos de divindade, recorri à Bíblia. O texto acima foi extraído das págs 42 e 43 de «Out Of Control», de Kevin Kelly (vénia). Daqui a pouco já&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;cá voltamos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mark Pauline:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;«Penso que os humanos irão acumular habilidades artificiais e mecânicas, enquanto as máquinas irão acumular inteligência biológica. Isto fará o confronto entre os dois ainda menos decisivo e moralmente claro do que o é hoje». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O jornal espanhol La Vanguardia publicou uma estatística da AER (Associação Espanhola de Robótica) onde se afirma que de um total de 3.974 robôs existentes em Espanha, 2.242 operam no sector automóvel, e os restantes 1.732 em outras indústrias, grande parte das quais subcontratadas pela própria indústria automóvel. A grande maioria da população robótica espanhola -- e, estamos em crer, mundial -- dedica-se à soldadura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Que descoroçoante!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O trabalho de Chico MacMurtrie, Mark Pauline e alguns outros (quase todos californianos, vá-se lá saber porquê:-) serve para retomar frentes abandonadas da batalha pela vida e inteligência artificial. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Desde o aparecimento dos vírus -- programas que se reproduzem -- ao mais recentes tecno-parasitas (de que aqui falámos em Junho) a vida para além do orgânico está de novo lançada. Rodney Brooks «alimenta a biberão» o seu Cog -- um bebé de metal, plástico e silicone com duas câmaras no lugar dos olhos e oito processadores de 32-bit -- tentando que ele aprenda as coisas da vida como qualquer criatura. Patti Maes constroi os seus agentes inteligentes. E a Warner vai lançar em breve (a data oficial foi ontem) um jogo chamado «Creatures» em que é suposto colocarmos à prova os nossos valores morais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;«Creatures» funciona assim: há umas criaturas -- em princípio alíegenas -- que nascem de ovos, e a quem é necessário ensinar algumas regras básicas de sobrevivência e de convivência social. As criaturas aprendem não só do que os jogadores lhes «uploadam», mas também umas com as outras. Uma versão digital do DNA garante que cada uma das criaturas seja diferente de todas as outras, variando, por exemplo, o grau de inteligência. Nos testes, ficou provado que estas criaturas podem desenvolver preconceitos (expulsaram uma criatura cuja cor era demasiado brilhante!), se tornam violentas quando violentadas frequentemente ou mesmo, dizem as más línguas, ao passar pela fase da adolescência arrombaram o armário das bebidas com resultados, no minímo, desastrosos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Será que, como acredita Kelly, nós somos também uma simulação que Deus colocou a correr? Olhós bugs, meu!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E terminamos com Kevin Kelly, ele mesmo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;«A maior consequência social da revolução Darwinista foi a aceitação pelos humanos que os humanos eram descendentes ocasionais dos macacos, nem perfeitos, nem engenharizados. A maior consequência social da civilização neo-biológica será a aceitação pelos humanos que os humanos são os antecessores ocasionais das máquinas, e que tal como as máquinas também podemos ser engenharizados. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Gostaria de sintetizar ainda mais: a evolução Natural insiste que somos macacos; a evolução artificial insiste em que somos máquinas com atitude».&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Bem, se sou um programa (ou uma máquina) vou-me desligar. Bzoing!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114598110717865973?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114598110717865973/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114598110717865973&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598110717865973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598110717865973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/o-deus-das-mquinas.html' title='O deus das máquinas'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114598093299490756</id><published>2006-04-25T17:01:00.000+01:00</published><updated>2006-04-25T17:02:13.006+01:00</updated><title type='text'>PCs e telemóveis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Todos nós que usamos computadores, sejamos ou não os legítimos proprietários, sabemos isto: o seu tempo médio de vida não ultrapassará os dois anos. Ao ultrapassar essa fasquia de utilização, será necessário proceder a uma actualização -- motherboard, processador, etc -- ou, pura e simplesmente, descartar e optar por um novo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O preço dos computadores, entretanto, tem baixado bastante. Ou melhor, o preço de um computador completamente artilhado para a oferta informática e telemática do momento tem-se mantido estável -- mas a qualidade do hardware melhora exponencialmente, o que corresponde a um abaixamento significativo dos custos. Porém, a quantia que é necessário desembolsar a cada novo computador mantem-se relativamente constante: qualquer coisa como meio milhar de contos (os processadores estão mais baratos, mas as placas de som, placas de vídeo, CD-Roms de n velocidades, etc., encarecem o computador no seu todo).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Em suma, o computador é ainda um investimento com impacto considerável na bolsa da maioria das pessoas. Indivíduos e empresas com grande necessidade de cálculo ou processamento de texto, por exemplo, não podem sequer hesitar quando é chegada a altura de investir. Contudo, como ferramenta de comunicação, apenas ou sobretudo, o computador revela-se extremamente dispendioso. Diria mesmo: o aparelho mais caro actualmente existente. Ao contrário do telefone ou do telemóvel. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Uma das formas imaginadas para fazer face a estes elevados custos foi o Network Computer. A sua adopção para além duma intranet empresarial é, porém, impossibilitada pela largura de banda actualmente disponível. E, muito embora seja uma boa ideia, o Netwrk Computer pode bem vir a seu um daqueles casos de tecnologia chegada antes de tempo e, desse modo, desaparecer mesmo antes de ter qualquer importância. E isto porque -- em termos de comunicação e não em termos de cálculo -- o antecessor dos próximos interfaces está já largamente disponível e a preços imbatíveis: o telemóvel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O telemóvel cumpre parte substancial das leis da  Nova Economia -- a economia das  redes -- nomeadamente a Lei da Abundância (e Portugal pode bem ser considerado o paradigma disso mesmo: nos transportes públicos, na mão de jovens liceais ou reformados, o número de aparelhos é extraordinário), a Lei dos Preços Invertidos (os telemóveis são cada vez melhores e, ao contrário dos computadores, o investimento necessário fazer neles é cada vez menor), a Lei do Valor Exponencial (porque os operadores de telecomunicações móveis são todos compatíveis entre si, tal como os aparelhos) e, finalmente, a Lei da Generosidade -- o seu preço tende para zero.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;(NOTA: estas são algumas das doze leis da Nova Economia tal como postuladas por Kevin Kelly -- ver «Wired» nº 5.09 ou «cyber.net» nº 30)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Um único senão: enquanto a frequência dos telemóveis em Portugal quase se revela aflitiva (porque tocam para toda a gente em vez de tocarem apenas para  seu proprietário) nos Estados Unidos são practicamente inexistentes. Os norte-americanos não utilizam a norma GSM -- as redes são analógicas -- e, como tal, os aparelhos são pouco portáteis para terem conhecido real êxito. Dizia-me alguém que os americanos, quando não se encontram em casa ou no escritório, estão no automóvel. E é no quatro-rodas que podemos encontrar o telemóvel americano. É provável. Mas mesmo a diferença de normas europeia e americana não impossibilitam a comunicação, não se tornando especial empecilho para as leis da abundância e do valor exponencial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Se o preço dos telemóveis tende para zero -- talvez só os cereais e as farinhas lácteas não tenham feito uma promoção oferecendo telemóveis -- é lícito acreditar que estes se tornem o interface preferencial de grande parte dos serviços telemáticos. Com efeito, a progressiva integração de vários novos serviços informativos (o que já tinha acontecido com os «bips») ou de comunicação (como o receber e enviar correio electrónico) constituiem sinais dessa mesma tendência. A economia dos telemóveis adapta-se com uma luva a esta estratégia, visto que os aparelhos são quase oferecidos aos desbarato, tendo o negócio como mais-valia a cobrança, exactamente, dos serviços.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A criação de serviços para redes móveis é, pois, uma área onde veremos, num futuro próximo, grandes investimentos. Está, igualmente, em sintonia com tudo o que aqui escrevemos sobre os satélites, há umas semanas atrás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A médio prazo, a guerra que os telemóveis serão capazes de mover aos computadores será decisiva. Não vejo, hoje, como é que os computadores conseguirão evoluir mais rapidamente que os telemóveis. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ou, dito de outro modo, o telemóvel é a primeira peça de «wearable computing» que você usa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114598093299490756?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114598093299490756/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114598093299490756&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598093299490756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114598093299490756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/pcs-e-telemveis.html' title='PCs e telemóveis'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579946365237133</id><published>2006-04-23T14:36:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:37:43.653+01:00</updated><title type='text'>O declínio do império</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;«&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os habitantes das cidades mergulham na satisfação que lhes é oferecida pelo bem-estar e o desafogo, vivem num estado de despreocupação que se tornou uma segunda natureza (…) Procuram o repouso, a tranquilidade e a ociosidade. Ocupam-se a construir belos edíficios, belas casas e a adquirir ricas roupagens. Erguem palácios, constroem fontes, plantam jardins e dedicam-se ao gozo dos bens mundanos. Preferem o repouso às fadigas, apenas se preocupam com belas roupas, pratos requintados, baixelas e tapetes (…) Gasta-se mais do que se recebe, a receita torna-se insuficiente, os pobres morrem na miséria, os ricos dissipam o seu dinheiro em despesas de luxo, e este estado de coisas piora de geração em geração, até que as receitas se tornam insuficientes. Começa-se então a sentir o pavor da carência (…) Como as necessidades do governo se multiplicam, os impostos elevam-se e pesam fortemente sobre o povo (…) Servir-se dos homens para lhes ficar com o dinheiro, é tirar-lhes a vontade de trabalhar para obter mais, pois eles vêem que no fim nada lhes resta.&lt;/span&gt;»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Diga-me sinceramente, caro leitor, não se aplicam estas palavras com bastante precisão ao que assiste hoje à sua volta? Talvez esperasse encontrar “estádios de futebol” onde se lê “palácios”. E com razão, já que estas palavras foram escritas há mais de quinhentos anos: saíram elas da pena de Ibn Khâldun, historiador árabe dos séculos XIV-XV e intímo de Tamerlão (1336-1405) o conquistador mongol. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Se quiser, volte atrás e releia. Eu espero.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Há cinco séculos anos atrás, Ibn Khâldun prospectivava assim a queda do Islão, tornando-se quiçá o primeiro historiador a intuir que a vida das civilizações obedece a padrões cíclicos.  Oswald Spengler (1880-1836) que deu o título de “Declínio do Ocidente” ao seu mais importante livro, definiu os impérios como organismos: nascem, vivem e morrem. Mas de absoluta relevância para o que aqui se pretende, é a afirmação de Spengler de que os impérios em ruínas investem cada vez menos nas actividades civis -- educação, p.e. -- e mais no sector militar. Uma resposta paranóica a potenciais ameaças, como se a ruína fosse obra do exterior e não do interior. O problema aqui é óbvio: uma economia fortemente alicerçada no militarismo necessita, eventualmente, de comercializar a produção bélica àqueles que serão os seus coveiros num futuro próximo. Vê o leitor algum tipo de semelhança com a recente história dos Estados Unidos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tendo como certo que mais dia, menos dia, o actual império ruirá, resta saber o que se segue. À nova ordem mundial, que tem a sua cabeça e o seu polícia bem identificados, poderemos nós aspirar, finalmente, à Aldeia Global? Um novo império desterritorializado, assente em novos paradigmas sócio-políticos e económicos? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O problema são, apesar de tudo as fundações do império; as ruínas sobre as quais se contruirá o novo (recordemos que a Europa se construiu sobre o traçado das vias romanas tanto como sobre as suas leis). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Se reduzirmos o mundo a uma aldeia de cem pessoas; cem pessoas que representem a actual população do planeta, são estas as pessoas que aí habitariam: 57 asiáticos, 21 europeus, 14 do hemisfério ocidental, norte e sul, 8 africanos. 52 mulheres e 48 homens. 70 não-brancos e 30 caucasianos. 70 não-cristãos e 30 cristãos. 89 heterosexuais e 11 homosexuais.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas mais importante é saber as condições em que viveriam: 6 pessoas possuíriam 59 por cento de toda a riqueza mundial, e 6 pessoas seriam dos Estados Unidos. 80 viveriam em habitações decrépitas. 70 não saberiam ler. 50 sofreriam de malnutrição. Um estaria prestes a morrer, outro prestes a nascer. Um, e apenas um, teria educação académica. Um teria computador. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pois… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579946365237133?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579946365237133/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579946365237133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579946365237133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579946365237133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/o-declnio-do-imprio.html' title='O declínio do império'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579926073353101</id><published>2006-04-23T14:34:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:34:20.736+01:00</updated><title type='text'>TV em tempo real</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No meu círculo de convivas não é vulgar falar-se da programação televisiva. A minha proverbial ignorância sobre o assunto impede, a maior parte das vezes, que as conversas tenham seguimento. Mas um destes dias falou-se mesmo de televisão e ouvi coisas surpreendentes. Coisas como «zé maria» ou «acorrentados». Coisas do arco da velha. Antes de mais, gostaria de esclarecer que a televisão não é nenhum anti-Cristo nem me move particular ódio à caixa. A televisão é uma das muitas facetas da Aldeia Global, um dos seus mais importantes ecrãs. Acontece, simplesmente, que a programação televisiva é um produto de gente com gostos e bioritmos que me são completamente estranhos, e de interesses que não me apraz respeitar. Como linguagem, é do mais acéptico possível. Como entretenimento, até o big show é pouco gore. Como estímulo, perto do nada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Até já ultrapassei o trauma de ouvir em abertura de noticiário radiofónico que o não-sei-quantos deu um pontapé em fulana, por acaso no mesmo dia em que Jorge Sampaio apresentava a sua recandidatura, notícia de pouca monta quando o país estava gelado pelo desenlace dramático do Big Brother. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O que realmente é curioso nisto tudo, não é o facto dos habitantes de Big Brother e os outros que vivem Acorrentados poderem aparecer, a alguns, como o estigma de uma civilização cujo valores se esboroam. Nada disso. A questão de eles terem público não está em causa: têm-no e que lhes faça bom proveito. Wahrol já nos tinha avisado que isto ia acontecer. Há gente capaz de tudo para aparecer. E há gente capaz de tudo para não se levantar do sofá e ir em busca de uma vida. Outros, possuem poucas opções, infelizmente, e só desse modo se explica que voluntariamente abdiquem de umas semanas ou quatro meses de vida. Mas que aborrecimento de vida quando se a pode desperdiçar assim!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E a emoção que está contida no modelo nem sequer é original. Jerry Springer e Oprah, por exemplo,  transformaram a vida privada das pessoas num circo de exorcismos. O tipo do big show também se rebola. Mediatizou-se o vulgar, e esse é um dos efeitos da democracia. Adiante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Curioso é notar que estes programas utilizam uma espécie de audimetria tão democrática quanto em tempo real. Ou seja, este tipo não está a apaixonar a audiência, «sai para lá» e venha o próximo. Há muitos donde este veio. A possibilidade de perceber o comportamento das audiências, é tão preverso quanto sublime. Permite entregar exactamente o produto que o consumidor pretende (não sei se as televisões gostarão desse sistema de medição aplicado com rigor aos blocos publicitários, mas isso é outra conversa).  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A audimetria em tempo real poderá traduzir-se, a seu tempo, em televisão em tempo real. Finalmente. A televisão, como meio, sempre foi em tempo real. Os seus conteúdos, porém, estão longe de o ser (com excepção de alguns directos).  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No futuro, talvez o árbitro possa distribuir uns quantos cartões amarelos se um jogo de futebol começar a perder audiência. «Corram mais, ou vai tudo para a rua. Dêem espectáculo, que é para isso que vos pagam», dirá. Ou talvez marque uma grande penalidade. Toda a gente gosta de ver uma a ser marcada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O mundo da política será, no entanto, o maior beneficiado com as técnicas de audimetria em tempo real. Aos discursos e debates de campanha abrem-se novos e inexplorados horizontes. Se uma promessa não colher audiência, facilmente o líder partidário poderá prometer outra coisa qualquer. Poderá mesmo experimentar contradizer-se. Já Cícero dizia que «para os líderes políticos, a persistência numa opinião nunca foi considerada um mérito».&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Talvez um dia se rebolem ou se acorrentem. Como efeito secundário preverso, talvez ficássemos todos a ganhar: poderiamos então discernir entre o circo e a verdade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579926073353101?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579926073353101/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579926073353101&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579926073353101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579926073353101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/tv-em-tempo-real.html' title='TV em tempo real'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579923066487064</id><published>2006-04-23T14:33:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:33:50.666+01:00</updated><title type='text'>A síndrome Titanic</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;No início, o Universo foi criado. Isto enfureceu muita gente e tem sido geralmente encarado como uma má ideia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;Douglas Adams, “The Restaurant at the End of the Universe”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A expressão que descaradamente roubo para titular a crónica deste mês pertence a Cees J. Hamelink, da Universidade de Amsterdão, que recentemente esteve entre nós para participar no Colóquio Info-Ética 2002 (no ISCTE).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O professor Hamelink demostrou ser, para dizer o minímo, um pensador singular. Como solução para o elevado número de sinistros automóveis na Holanda (o problema não é exclusivamente português) propõe… automóveis sem travões! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Porque, acredita, é a excessiva segurança dos automóveis, o seu aperfeiçoado grau tecnológico actual, que provoca os acidentes. Ou melhor, o excesso de confiança que o homem deposita na tecnologia. Também Virilio já nos tinha avisado sobre o “acidente” que a tecnologia em si transporta como mensagem: “inventar o navio é inventar o naufrágio, inventar o avião é inventar a explosão, inventar a electricidade é inventar a electrocução”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Vivemos, realmente, em plena tecnocultura, em que uma fé imensa na perfeição da tecnologia nos fez esquecer de levar botes salva-vidas. É isso a Síndroma Titanic. E esta é, infelizmente, uma parábola dolorosamente rigorosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas mais interessante ainda é a ideia da tecnocultura de que o homem está na origem de todos os problemas. Se a tecnologia é perfeita, então a falha será humana. São os homens que estragam, que corrompem, que introduzem o erro. Deus ex machina, contudo, não salvou os náufragos do Titanic – isso sabemos nós. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tal como os deuses pendurados em frágeis cordéis sobre o palco, também nós pairamos sobre abismos e não há quem nos acuda quando a ilusão é perfeita. Temos os pés assentes numa teia invisível e inescrutável de impulsos eléctricos e, no entanto, pensamos pisar terra firme.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A consequência inadmissível de se acreditar tanto nas falhas do homem em oposição a uma “pureza” da tecnologia, é que esta nos chega com imenso controlo. O perfeito monitoriza e vigia o imperfeito, pois é assim de seu direito. A legitimação da tecnologia como instrumento de controlo deriva, também, da sua ascese, que a coloca fora dos limites da moral ou acima dela. A austeridade ideológica, contudo, não existe, nem mesmo em máquinas não pensantes. Nisso acredito eu, firmemente.    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Régis Debray, há alguns anos atrás, acusou McLuhan de ter sobrevalorizado “a tecnologia por detrás da mudança cultural”, como se os códigos e as mensagens pudessem ter uma existência autónoma. Não têm. As invenções libertaram o homem – para ser mais rigoroso: libertaram também a mulher – mas essa liberdade, como na parábola do paraíso perdido, não deixa de ter o seu preço. Não pretendo um mundo de gente nua e feliz a comer fruta das árvores; menos ainda um mundo de culpas por termos mastigado a maçã. Mas McLuhan tinha razão: temos de saber ver o que a tecnologia nos faz e faz por nós. Não há paciência para entidades perfeitas que nos tratam como crianças irresponsáveis. A menos que o sejamos… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579923066487064?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579923066487064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579923066487064&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579923066487064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579923066487064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/sndrome-titanic.html' title='A síndrome Titanic'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579917189296543</id><published>2006-04-23T14:32:00.001+01:00</published><updated>2006-04-23T14:32:51.893+01:00</updated><title type='text'>Superfície e superficial</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A televisão, mesmo a não-gaulista, sempre foi colaboracionista. Se é verdade que promoveu o conhecimento do Outro e do Mundo, num fenómeno que McLuhan baptizou Aldeia Global, também não é menos correcto reconhecer que, em muitos casos,  prolongou a iliteracia, a passividade e o adormecimento. Não se interprete aqui a denúncia da demagogia pública, dos interesses privados ou da programação-lixo, pois essa é a parte visível e de menor pericolosidade da televisão. A preversidade do «medium» passa-se um pouco mais profundamente, como fenómeno que agita comportamentos e cognição. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Muito por culpa dela vivemos em satisfação plena: em termos narrativos o supérfluo chega-nos; a devassidão da identidade torna-se atracção, mais ou menos como Wahrol previu; e na informação abraçamos a lógica da «náusea» (nas palavras de McLuhan: «a irritação tem um enorme "poder de atrair a atenção" e aqueles que se irritam desta forma são consumidores em quem se pode confiar. A náusea tornou-se, pois, um novo princípio quer da publicidade quer da estética»). A náusea como princípio estético e mecanismo mesmerizador teve, ou tem, o seu preço. A televisão deu-nos um simulacro da realidade omnipresente, repetitivo, e (quase) impossível de resistir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Por outro lado, a TV é fluxo. Tal a descrevia Orson Wells: «como a água que escorre na cozinha». A televisão não tem princípio nem fim: está sempre lá. Sempre que alguém está em casa, é normal a televisão estar ligada pois ela não nos exige nem envolve atenção particular. É um bibelô que nos despeja na sala representações banais e incapazes de nos modificar a vida e, deste modo, de nos comprometer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ora é esta mesma televisão que agora pretende tornar-se inteligente. Pretende dizer-nos: olha para além da superfície do ecrã. Perscuta-me as minhas textura e profundidade. Dá-me atenção, interage comigo. Como uma criança autista que, de súbito e num excesso de comunicação, pretende convencer-nos a comprar um time sharing. Isto não vai funcionar nunca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579917189296543?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579917189296543/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579917189296543&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579917189296543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579917189296543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/superfcie-e-superficial.html' title='Superfície e superficial'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579913652328657</id><published>2006-04-23T14:32:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:32:16.526+01:00</updated><title type='text'>Media como placenta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O mercado da bolsa não é a única crise à vista para a Internet tal como a conhecemos. Até certo ponto, acredito que a momentânea desconfiança dos investimentos se prende mais com questões emanentes da mensagem do projecto tecnológico do que com questões de rentabilidade financeira. Com algum rigor pode afirmar-se que as empresas centradas em conteúdos para ecrã de computador não parecem ter um grande futuro à sua frente (e nestas incluiem-se a maioria das empresas referenciais da nova economia, nomeadamente as media darling e campeãs de bolsa). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Os portais actuais são, hoje, o paradigma de um mundo que se denuncia como estando à beira da extinção: tanta tecnologia para pouco mais que letras míopes e botões reactivos. Por instantes, vivemos intensamente um período de interactividade com conteúdos cuja resolução é menor que os mapas pré-Descobrimentos. Como escrevia Jimmy Guterman há uns cinco anos atrás: "Abra um livro. Uma página de texto dactilografado pode suster mais de cinco mil caracteres. Veja um mapa. Se estiver razoavelmente desenhado, dez centímetros quadrados podem revelar uma dúzia ou mais de informações, assim como várias relações. Agora ligue o seu computador. Você está a navegar através de informação complexa, apoiado num interface gráfico do melhor que a ciência é capaz, mas está de volta à era negra da resolução da informação: mesmo o mais preciso terminal trabalha a uma densidade informativa de apenas um décimo da de um mapa ou de uma página de texto".  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Acreditamos que as coisas vão mudar com a chegada do tempo em que o mundo e os objectos que nos rodeiam se tornam "imbuídos de media" (livremente traduzindo uma das mais felizes expressões anglo-saxónicas: embedded media).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O declínio do PC já foi aqui antes abordado. Mas a ameaça que então se previu toma formas cada vez mais concretas. Dois exemplos: o telemóvel V.2288 da Motorola, comercializado a um preço compatível com o gosto dos adolescentes, que além de voz e Wap possui sintonia de rádio FM; e o novo artefacto da Samsung que incorpora um leitor de MP3 com o telemóvel (16MB de memória, ou seja, umas quatro músicas). Para o final do ano está prometida a decuplicação da largura de banda dos telemóveis e o primeiro destes aparelhos com ecrã a cores. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O audiovisual -- noção que aqui abrange os produtores de cinema e televisão -- atravessou duas longas décadas de crise constante, à qual os muitos milhões de investimento europeu nunca conseguiu dar a volta. Nestes últimos anos foi praticamente esquecido pelo vocabulário político e dos media, substituído pela paixão multimédia. Na verdade, isto apenas aconteceu porque o hardware e a largura de banda nos obrigaram os sentidos a retornar à Idade das cavernas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas uma vez que a largura de banda cresce exponencialmente e os objectos se tornam altamente contudores, veremos renascer o "velho" audiovisual -- media rico em som e imagem -- numa combinação perfeita com o "novo" multimédia -- capacidade de interagir com os conteúdos. Estamos finalmente chegados ao momento em que os conteúdos contidos na terminologia audiovisual e multimédia vão convergir. E, melhor, vão cobrir-nos como placenta. Não há qualquer rebuscamento simbólico na frase: é assim mesmo que as coisas vão acontecer.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579913652328657?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579913652328657/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579913652328657&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579913652328657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579913652328657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/media-como-placenta.html' title='Media como placenta'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579910748997934</id><published>2006-04-23T14:31:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:31:47.493+01:00</updated><title type='text'>Sob vigilância</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Há dois meses atrás tive a oportunidade de juntar, num seminário dedicado ao tema “Sob Vigilância” – o tema do primeiro Festival de Imagem de Oeiras -- um grupo de pensadores notável: António Machuco Rosa, David Wood, Geert Lovink, José Bragança de Miranda, Manuel DeLanda e Paulo Cunha e Silva. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Com tamanha latitude, supostas conclusões nunca estiveram no horizonte; antes pretendia um vasto espectro de questões, de formas de olhar, analisar e, obviamente, de nos preocuparmos com tema tão omnipresente na caminhada humana. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas se dúvidas subsistissem ainda, ficou claro que o programa da vigilância está imbuído na própria cultura: da vigilância do próprio corpo (diagnóstico e terapêutica) de que falou Paulo Cunha e Silva, à arquitectura de identificação e memória da Internet relatada por António Machuco, passando pelos muitos e novos dispositivos tecnológicos denunciados por David Wood; a monitorização das acções e comportamentos está hoje no epicentro da tecnologia cuja principal força motriz é, como se sabe, a indústria da guerra.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas se há guerras que, por motivos históricos, já não somos facilmente tentados a argumentar – a guerra entre nações, por questões de economia e espaço – outras há que nos deixam perplexos. Falo, claro, da guerra dos estados contra os seus cidadãos, das empresas contra o consumidor, enfim, do homem contra o homem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Conhecimento e informação são as chaves para o exercício do controlo. É verdade que também se vigia o clima, por exemplo, e com isso se podem salvar vidas. É verdade que se vigia o trânsito. É verdade que se vigiam as crianças. Talvez nem todos os vigilantes se dirijam para o Inferno. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas “a tendência moderna de resolver problemas políticos de modo técnico”, como afirma Bragança de Miranda, está a levar-nos a constructos que ultrapassam a nossa própria capacidade de controlo – mecanismos autónomos cuja eficácia técnica confundimos com exercício de boa ética -- e, logo, de questionarmos e avaliarmos continuamente os nossos objectivos como indivíduos e sociedade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Esta tecnologia, capaz de responder instantaneamente aos problemas (à velocidade da luz) ao contrário dos parlamentos, governos ou pessoas, está obviamente fora de controlo. Afirmou Virilio que “Hoje, empregamos os três atributos do divino: a ubiquidade, a instantaneidade, a imediatidade; a omnividência e a omnipotência”. E conclui: “Já nada tem a ver com democracia, é uma tirania”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pouco importa se é uma tirania das máquinas; se uma tirania de quem construiu as máquinas; se uma tirania de quem autorizou que outros construissem as máquinas. Do ponto de vista do escravo, só importa a liberdade. Não interessa contra quem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579910748997934?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579910748997934/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579910748997934&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579910748997934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579910748997934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/sob-vigilncia.html' title='Sob vigilância'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579905932249280</id><published>2006-04-23T14:30:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:30:59.323+01:00</updated><title type='text'>Saudades do futuro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;Só tenho saudades do futuro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;José Gomes Ferreira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Uma das facetas mais marcantes da nossa cultura  -- entendendo por cultura o sistema operativo por cima do qual corre a identidade colectiva e as suas mais profundas aspirações -- é, indubitavelmente, a "saudade", esse mantra lírico e esotérico aplicado sempre que precisamos de explicar aos "outros" porque somos diferentes deles. Como premissa, a saudade coloca-nos numa zona de emoção exclusiva, que não é compatível nem pode ser partilhada. Nascemos na língua -- outra palavra para sistema operativo: a minha pátria é a minha língua -- e isso distancia-nos de todos os outros.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Dando de barato a banalização e o excesso de uso, acredito contudo que a saudade realmente nos habita o modo de ser e nos condiciona os comportamentos e processos de comunicação. Os ingleses dizem "homesick" (literalmente: doente+casa) quando sentem no sangue a ausência do lar, da família ou mesmo da pátria. Ao contrário, a "saudade" tem menos a ver com aquilo de que se sente a falta -- o lar, a família ou a pátria -- do que com a improbabilidade de encontrar aquilo que se deseja. É a ansiedade provocada pela insatisfação. Escreveu Pessoa, um dia, que falta cumprir-se Portugal. Também nós estamos por cumprir. Isso é a saudade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Quando José Gomes Ferreira disse só ter "saudades do futuro", estava a ser ironicamente paradoxal, já que ambas as premissas significam a mesma coisa: a saudade não refere o passado ou a coisa adquirida; a saudade lamenta a ausência do que nunca se teve e, muito provavelmente, nunca se terá. Em suma, Porque eu só estou bem, aonde eu nao estou; Porque eu só quero ir, aonde eu nao vou, dizia-nos António Variações na sua seminal canção "Estou Além". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas, sob pena de repetirmos algumas das noções aqui abordadas mês após mês,  que espaço habita a saudade num mundo subitamente holístico (o Ciberespaço ou a Aldeia Global) e por que futuro se espera quando o tempo é simultâneo? Será a nossa cultura compatível com o novo sistema operativo que rege a humanidade ou iremos perder-nos como portugueses?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A saudade é coisa que se começa a acumular algum tempo antes da partida, vai crescendo na distância, e torna-se insuportável no regresso. Mas ora que chegados à Aldeia Global, com os nossos sentidos electronicamente expandidos, a cada momento contactando o todo, tomamos consciência que a telepresença destrói a ausência e a virtualidade substitui o vazio. A comunicação tornou-se possível a todas as horas e substituiu o silêncio. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Chocou-me pensar nisto tudo um destes dias em que, antes de fazer as malas, telefonei a despedir-me de uma pessoa querida que vive no Porto (eu vivo em Lisboa, quando não estou no Ciberespaço). Quase todos os dias, à semelhança do que faço com tantos outros amigos espalhados por esse país fora, converso com ela no talker, no ICQ ou no IRC. E o que me surpreendeu foi isto: objectivamente, não iriamos ficar mais distantes só porque me ia deslocar a um outro país qualquer. Em tempos, Nicholas Negroponte salientou que de Nova Iorque a Newark ou de Nova Iorque a Londres existe uma diferença apenas de cinco segundos… via satélite. À velocidade da luz, a comunicação entre Lisboa e Porto não é muito mais rápida que entre dois pontos quaisquer do planeta. A ausência já é coisa impossível de viver, quando nos aeroportos e nas artérias principais das cidades (quase, mas lá chegaremos) existem computadores com uma ligação à Internet. E, no entanto, continuo a ter saudades. De quê? Só pode mesmo ser do futuro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579905932249280?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579905932249280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579905932249280&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579905932249280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579905932249280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/saudades-do-futuro.html' title='Saudades do futuro'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579899402887273</id><published>2006-04-23T14:28:00.001+01:00</published><updated>2006-04-23T14:29:54.030+01:00</updated><title type='text'>Resoluções de Ano Novo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ele há um objecto conceitual chamado "resoluções para o Ano Novo" que eu sempre adorei. Trata-se de uma lista que descreve as coisas que deviamos ter feito durante o ano que se acaba e que, por preguiça, esquecimento ou verdadeira falta de tempo, nunca fizémos. Gosto de pensar nessas listas como coloridas espetadas que se colocam ao carvão: ao fim de algum tempo carbonizam e desaparecem sob o terrível peso do dia-a-dia. Mas são bonitas e dá gozo elaborá-las. Dizem imenso sobre o que somos, o que aspiramos a ser, e os sonhos que nos movem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Por vezes, a lista torna-se mais criativa e enuncia coisas realmente novas, que nunca nos tinham passado pela cabeça. Esse é o meu género de lista, já que perder peso, renunciar aos charutos ou usar roupas de cor não são coisas que, realmente, leve a sério. Um ano não tem piada se não começa com uma boa lista de verdades improváveis. E é isso mesmo que, este ano, tenciono fazer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Resolução 1: Diminuir os custos com as telecomunicações, aumentando a conectividade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Visto que trabalho cada vez mais em casa, começo a exasperar com o modem a 33K e as taxas de transferência. Procurar informação e importar programas, através da Internet, tornou-se um quebra-cabeças jogado a ritmo do caracol. Enquanto estou aqui sentado, as bases de dados explodem enquanto o meu poder de acesso a elas implode. Preciso inverter esta oposição de direcções, e rapidamente, ou corro o perigo de me tornar analógico e voltar a ler jornais no café. É que, por este andar, o nível de informação que sou capaz de absorver assemelhar-se-á à leitura do jornal diário. E como irei eu então ganhar a vida? Quem quererá ler os textos de um tipo que passa as manhãs no subúrbio a ler jornais? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Do que eu preciso é, por exemplo, de bots. Agentes inteligentes que tornem a Net objectiva e eficaz na informação, como antigamente, nos tempos que lhe conhecia os cruzamentos e as travessas tão bem quanto a topologia do Bairro Alto. Mas para isso preciso também de uma ligação permanente e de bidireccionalidade. A conectividade, implica uma relação igual entre dois pontos. O meu computador não se pode tornar igual à televisão. Hummm… esta talvez não seja difícil; afinal, dizem, vivemos já no século XXI.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Por outro lado, a minha vida virtual diminui na directa proporção em que aumentou a minha domesticidade. Ora isso não é justo, nem sensato, quando o teletrabalho deve ser uma das prioridades para aliviar as IC-dezanoves deste país e a insuportável pressão urbana, a ausência de espaço vital, as comidas de colesterol puro e a falta de oxigénio. A presença, ou telepresença, simultânea em vários espaços virtuais, como o telnet ou o IRC, num verdadeiro desafio de multitasking -- aquilo que me concedeu a cidadania da Aldeia Global -- tornou-se impossível a impulsos telefónicos contabilizados ao segundo. Preciso, realmente, de uma ligação permanente cá em casa, cujos custos e mais os dois telemóveis e o telefone fixo e etc. não me levem à falência. Será pedir muito? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Bem, estas coisas das resoluções de Ano Novo são mesmo assim; não custa sonhar. Sei que tinha mais uma ou duas coisas para acrescentar à lista mas, sinceramente, acho que acabei por esquecê-las. Será que se diminuir o número de resoluções as hipóteses delas se tornarem reais aumenta? Não custa tentar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579899402887273?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579899402887273/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579899402887273&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579899402887273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579899402887273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/resolues-de-ano-novo.html' title='Resoluções de Ano Novo'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579891127721672</id><published>2006-04-23T14:28:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:28:31.280+01:00</updated><title type='text'>Quente e frio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No séc. XIX, o homem “descobriu” o mundo macroscópico, os grandes sistemas: as redes ferroviárias intercontinentais, as galáxias e, até, a sua própria História (que afinal começara mais de cem mil anos antes dos impérios da Babilónia e da da Antiguidade helénica). Isto fez com que ele se deslocasse do centro de todas as coisas e, em consequência e à sua imagem, anunciou-se a morte de Deus.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No séc. XX, o homem fez o movimento inverso: do macrocosmos para o mundo microscópico. Os grandes símbolos da época – o átomo, a célula, o ADN, os quarks e os quanta – são símbolos que ficam para além do olhar: invisíveis. O nosso mundo passou a ser povoado por traços fantasmagóricos; o seu funcionamento tornou-se explicável por coisas que não conseguimos ver. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O cruzamento do macro e do micro, da ideia de um universo sem fim e da tecnologia miniturizada, desembocou na aventura espacial dos anos cinquenta e sessenta (a conclusão é tirada à pressa, mas julgo que dispensa explicações). Esse foi um dos bons efeitos secundários do conhecimento (evitemos chamar-lhe ciência, por agora). Mas, como bem se sabe, esse conhecimento inventou também a guerra atómica e a info-guerra; e isso é um efeito de consequências aterradoras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Após o positivismo e o materialismo, entrámos numa nova época em que de novo é preciso ter fé. Fé para acreditar nas tais coisas que não vemos como essência da vida e argamassa do universo. George Gilder chegou mesmo a especular que os quanta, aquilo que dá consistência a tudo o que existe, sendo luz pura nada mais são que a própria essência divina. Mas a fé, por emoção que é, não deixa de ter os seus aspectos irracionais. E um deles é a forma ingénua e acrítica como aceitámos e aceitamos o progresso, a ciência e a tecnologia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Parece-me indiscutível que o tempo actual é fortemente caracterizado por uma súbita deslocação da tecnologia: desde a periferia para o epicentro da vida humana. A “nova” tecnologia – a alta tecnologia, as tecnologias da comunicação e os media – afectam a um nível profundo a expressão, a percepção e o pensamento humanos, com os consequentes impactos na vida social, política e económica. A Nova Economia nasceu desligada das novas ideias económica – à volta de uma coisa chamada bolsa de capitais que de novo não tem nada -- e ruiu com estrondo. O discurso político, esse, assume que o futuro é uma coisa que deriva do despejo de novas tecnologias para cima de tudo, privado e público, e “está a andar”.  A Nova Política não parece muito diferente do NASDAQ e, como todas as bolhas, corre o risco de rebentar com um sopro de ar e sem deixar memória. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Não queremos com isto dizer que a tecnologia, nova ou velha, seja boa ou má. O programa indecifrável da tecnologia diz que ela tem de ser boa para si mesmo e nada mais. O resto está para além de considerações moralistas: fala-se hoje muito de qualidade, e usa-se comunemente o termo “qualidade” como sinónimo de virtude e antónimo de defeito. No entanto, qualidade refere-se apenas a uma condição. Frio ou quente são qualidades, não defeitos nem virtudes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A água, quando quente, é óptima para fazer chá e péssima para ser bebida no deserto, tal como fria não serve para chá (mesmo que o coloquem numa lata de alumínio colorido com excesso de açucar). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É o contexto aquilo que valoriza a qualidade. A Física nuclear não é  boa quando vai à Lua e má quando fabrica bombas. É sempre a mesma Física. Claro que a água insalubre, tanto lhe faz estar quente ou fria; mas a tecnologia, que fique bem claro, não é insalubre (pelo menos enquanto não se tornar mais orgânica). Não pode é ser sempre a mesma em todo o tipo de situações, não se pode pagar toda ao mesmo preço, não serve da mesma maneira a todas as pessoas indiscriminadamente. Para repegar na metáfora inicial, os processos das novas tecnologias são, tal como as matérias actuais da ciência, invisíveis ao olhar. E por isso mesmo exigem de nós algo mais que fé cega: exigem um compromisso ético que teimamos em não assumir. Mesmo com todas as provas da História.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579891127721672?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579891127721672/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579891127721672&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579891127721672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579891127721672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/quente-e-frio.html' title='Quente e frio'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579886152380308</id><published>2006-04-23T14:26:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:27:41.526+01:00</updated><title type='text'>Pesadelo com o Grande Irmão (1984?)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O soma de Huxley --a droga alienante que permitia manipular as massas em «O Admirável Mundo Novo» -- parece-me, ainda hoje, uma metáfora mais eficiente que o mundo policial de Orwell, tão predestinado à queda quanto o muro de Berlim. Vigiar não basta, o que é preciso é alienar. E a televisão, naturalmente, funcionaria no imaginário como figura de estilo da massificação, da manipulação ou, simplesmente, do puro mal encarnado no hertz. O que na última década foi brilhantemente denunciado em «Poltergeist» (Hooper) e «Videodrome» (Cronenberg) até à catarse máxima de «Natural Born Killers». 84 é a capicua de 48, «o ano da televisão».&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ao contrário do que Michael Crichton previu, não vivemos os tempos da extinção dos mediassauros. O que os colossos fazem é adaptar-se. Aproveitar o gene mutante que lhes diz: desloca-te para a Net! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;À fragmentação das audiências sucede-se a fragmentação dos conteúdos. Mas continuamos a ver (quase) a mesma coisa. É a liberdade dos que confudem criatividade com comprar no supermercado (como dizia Douglas Coupland em «Geração X»). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;O céu por cima do porto era da cor de um aparelho de TV sintonizado num canal sem emissão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;William Gibson&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;William Gibson nasceu em 1948. Em 1984 escreveu «Neuromancer» e criou o ciberespaço. É só uma ironia dos digitos, nada mais. Passados estes anos após o nada, a Internet caiu na rua como uma chuva ácida de dimensões planetárias. Estava (está) criado o mito da liberdade da informação. O sistema não parece, no entanto, preparado para sobreviver a esta nova nanofragmentação. O excesso de informação transformou o sinal em ruído: alt.policromático veio a ser alt.policromático.azul.azul-claro.cian.anil o que, convenhamos, é demasiado para os delicados mecanismos da percepção humana. A contracorrente logo produz novas sínteses, alicerçadas no mais elementar efeito de náusea: exibicionismo e voyeurismo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Os heróis passam do vinil para o CD para o CD-Rom para a www.page.heróis para o heróis.com (NASDAQ) e às tantas perdêmo-los de vista. Podiam ser pessoas normais como nós. Que raio!, podiam ser um de nós. Com eles transfere-se a mentalidade e a moralidade dos vigilantes. A aldeia global está prestes a falhar, não porque McLuhan se tenha enganado acerca da electricidade mas porque a electricidade nunca mudou de mãos. A extensão electrónica do homem, como ele maravilhosamente colocou a questão, ainda é, e só, a extensão electrónica dos meios de comunicação. O que não significa o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Outro dos conceitos chave do profético McLuhan --o meio é a mensagem--  continua a ser uma frase enigmática, mesmo nos laboratórios «hi-tech», onde os cientistas teimam em olhar para a VR, a vida artificial ou a nanomanipulação como tecnologia e não como media. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Do efeito de narrowcasting  resultou  a preversa centrífugação dos meios de comunicação, o entupimento de todas as vias que a tecnologia tornou possíveis. Abriram-se portais para todas as dimensões. E para além desses portais chegámos de novo ao local de onde haviamos partido, num castigo divino de implosão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É certo que há efeitos colaterais da tecnologia. É certo que o futuro nos surpreende. Mas tinha de ser o Grande Irmão???&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;(P.S. : repararam que uma parte significativa da Internet portuguesa foi, pela primeira vez, abaixo por excesso de tráfego no dia em que estreou «O Grande Irmão»?) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579886152380308?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579886152380308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579886152380308&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579886152380308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579886152380308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/pesadelo-com-o-grande-irmo-1984.html' title='Pesadelo com o &lt;i&gt;Grande Irmão&lt;/i&gt; (1984?)'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579875619656441</id><published>2006-04-23T14:25:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:25:56.200+01:00</updated><title type='text'>Para acabar com o silêncio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A pedofilia é, para nossa grande vergonha, o “tema do momento”. Não só em Portugal mas por muitas outras paragens. Sem exagero, o termo começou a ouvir-se com alguma frequência há uns anos atrás, quando se falava de uma novidade chamada Internet. Fiquei fulo. E ainda hoje julgo que foi uma das maiores imbecilidades promovidas por algum mass media. A perversão está e sempre esteve lá – em sítios insuspeitados e há dezenas de anos como veio agora a provar-se -- independentemente dos media que são utilizados para a propagandear ou vender. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas os media – a informação -- são, obviamente, uma coisa boa: acabam com o silêncio. Investigam e denunciam. Onde os outros calaram, governantes incluídos, os jornalistas deram voz e esperança de justiça às vítimas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Eu seja paranóico se até aqui não há “modismos”. A denúncia de uma certa irregularidade, crime ou perversão, parece comportar-se como a àgua atingida por um seixo. Primeiro a Bélgica, depois os padres católicos dos Estados Unidos, agora uma das mais prestigiadas instituições de ensino e apoio aos jovens em Portugal. E agora que todos falam a alto e bom som, nada pode remediar o que já foi mas é bem possível que se consigam evitar muitas coisas que aconteceriam caso as pessoas, as crianças inclusive, não estivessem tão bem informadas e, sobretudo, livres de um qualquer estigma social que os tem levado ao silêncio. Falar abertamente das coisas é bom (hoje estou a redundar evidências, mas é mesmo isso que pretendo). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Também é verdade que se tem falado demais. Porventura violando a privacidade das vítimas; ameaçando o noutros aspectos óptimo desempenho e bom nome de uma instituição; ocorrendo, até e mais grave, em falsas acusações. Porventura fomentando a paranóia social – eu adoro crianças e costumo “meter-me” com elas; virá o dia em que tal atitude venha a ser mal interpretada? Já vi disso na Bélgica, espero nunca o ver neste país. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É verdade que hoje se fala demais: nasceu uma geração televisiva de especialistas em tudo e mais alguma coisa, comentadores de banalidades e desenhadores de perfis que não acrescentam nada ao óbvio. Este é o problema; logo a polícia deve investigar, o promotor acusar, o tribunal julgar e a sociedade fazer o possível para atenuar o trauma das vítimas, em solidariedade sentida.     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas um dos factos mais curiosos de todo este assunto foi a repetida repugnância que alguns jornalistas (e não só) revelaram sobre a exibição de um filme pedófilo na televisão. Em suma foi este o discurso: que o direito de informar não inclui o direito de chocar. Pois bem, com todo o respeito pelas crianças violentadas desta forma, digo que me foi igualmente chocante ver, há muitos anos atrás (em meados dos anos oitenta) as crianças da Etiópia com as suas barrigas dilatadas pela doença de Kwashiorkor e morrendo de fome. Mas foram essas imagens que inspiraram Bob Geldof ao Live Aid e a comunidade mundial à ajuda humanitária. Foi com essas imagens que, chocados, acordámos. Foram essas imagens que acabaram com o silêncio. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Quando se fala de coisas tão importantes para a sociedade e para o nosso lugar nela enquanto cidadãos – como crianças perecendo de malnutrição ou violentadas por pornógrafos – não será excessivamente burguês mostrar tais pruridos morais com as imagens? Meus caros opinion makers, a vida real não é um reality show... é algo bem mais sério.     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579875619656441?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579875619656441/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579875619656441&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579875619656441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579875619656441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/para-acabar-com-o-silncio.html' title='Para acabar com o silêncio'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579872112376305</id><published>2006-04-23T14:23:00.001+01:00</published><updated>2006-04-23T14:25:21.126+01:00</updated><title type='text'>Período de reflexão (para votar em consciência)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Timothy Leary fez (no seu “Neuropolitique”) uma pergunta fundamental: ”de súbito, KAZAM!, estamos diante do disco voador e da Grande Inteligência e que temos nós a perguntar-lhe?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É como esfregar a lâmpada mágica… já pensou nos três desejos a solicitar ao génio? Porque faz pouco sentido andar a esfregar lâmpadas ou a escutar sinais de rádio no espaço profundo, se não estivermos preparados para fazer as três perguntas. Pense um pouco nisto antes de continuar a ler.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É bom lembrar o aforismo de John Perry Barlow: “o melhor modo de inventar o futuro é predizê-lo”. São isso as profecias. Espero que pelo menos duas não estejam correctas: o apocalipse e o hitch hickers guide to the galaxy. Ambas resultam no mesmo ainda que com cinco segundos de diferença. E o planeta desaparecerá para dar lugar à enorme IC19 transgalática. O que assim sendo pode, até certo ponto, explicar o fenómeno de Roswell e a famosa escola de condução de discos voadores, Área 51. Que outra explicação existirá para a quantidade de naves sinistradas numa cultura que se crê intelectualmente e tecnologicamente superior? Os tipos não saberão o que é o piloto automático? E os sinais de trânsito, serão realmente universais? Se eu pudesse escolher o planeta onde vivesse, escolheria uma enorme esfera de oceano vermelho com um continente rectangular, fino e branco ao centro. Sentido proibido. Vão chatear outro. Arranjem outro sítio para construir a vossa auto-estrada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tony – na história de Leary – tinha três perguntas para a Grande Inteligência: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;a) Como chegou aqui? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;b) Tem bombas atómicas e está a pensar usá-las em nós? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;c)Cristo vai regressar para nos salvar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;E as respostas foram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Viajam instantaneamente pela nossa galáxia a velocidades superiores à da luz (método que vão ensinar aos nossos físicos quânticos). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;b) Têm energia nuclear e muitas outras, mais poderosas, mas só as utilizam para curar e ajudar. Não há nada a temer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;c) Nada de especial acontece na atmosfera pantanosa de um planeta e o melhor seria utilizar os nossos conhecimentos científicos para tentarmos juntar-nos a eles “lá em cima”. E lembraram que Cristo disse que o nosso reino não era deste mundo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas pelo sim, pelo não, tenho aqui a minha toalha ao lado do teclado. Se Deus joga aos dados, nunca se sabe quando poderá Ele perder. Com Sodoma foi brando, mas pode ser que esteja um pouco mais chateado se a coisa acontecer em Las Vegas. Tragam os bulldozer! Arrasem-me isto! Ponham ali um sinal de trânsito!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Eu também tenho três perguntas para a Grande Inteligência: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;o que pensa dos “Ficheiros Secretos”? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O VISA é válido noutras galáxias? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Como é que eu recebo o meu correio electrónico viajando a velocidades superiores à da luz?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Se os discos voadores forem realmente resultado de uma tecnologia superior, desenganem-se de todo. A Terra será apenas mais um mercado e afinal nós nem sequer tinhamos raspado a verdadeira abrangência da Aldeia Global. Na pior das hipóteses, poderemos ser uma mina de matéria-prima com mão-de-obra barata ou mesmo escravizada. É pouco provável, contudo, que os extraterrestres se alimentem de nós. Sofreriam certamente um embargo, devido à quantidade de toxinas, drogas, vírus e outras contaminações piores que a BSE. Quando alguém se dirigir a você e lhe disser: “eu venho eu paz”, pegue no telemóvel e avise os serviços de imigração. Pelo sim, pelo não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O programa tecnológico é, invariavelmente, imperalista. Não creio que exista idiossincracia tão distinta da molécula de carbono que produza uma tecnologia doutro sentido. Mas podem não ser visitantes tecnológicos. Podem ser anjos, viajantes inter-dimensionais. Ou apenas visões lisérgicas, o que é o mais provável. Não que seja de dispensar a ideia de vida inteligente lá fora, muito embora a lei das probabilidades não me pareça coisa de fiar. No caos absoluto que realmente é, a probabilidade é algo que não faz sentido. E se estivermos sós? O que é que realmente muda, nas nossas vidas e na História, se estivermos sós? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579872112376305?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579872112376305/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579872112376305&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579872112376305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579872112376305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/perodo-de-reflexo-para-votar-em.html' title='Período de reflexão (para votar em consciência)'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579860188170138</id><published>2006-04-23T14:23:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:23:21.883+01:00</updated><title type='text'>Os conteúdos e o resto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Um ranking das 50 maiores empresas da Nova Economia – a Digital ou das Redes, como preferirem -- elaborado por uma empresa espanhola, a GIPA, revelou o fraco peso do negócio dos conteúdos quando comparado com as telecomunicações, a electrónica e o hardware. As primeiras quatro primeiras empresas desse ranking são, aliás, todas de telecomunicações: Portugal Telecom, Telecel, Marconi e TMN (e note-se que três pertencem ao grupo da PT). Telefonia fixa e telefonia móvel são, hoje e em Portugal, um negócio altamente rentável. Ao invés, as empresas de conteúdos que aparecem neste ranking são, quase todas embora em medidas muito diferentes, deficitárias: RTP, TVI, Lusomundo Cinemas, TSF e TV Cabo. As rentáveis, por sua vez, são a SIC, RDP, Lusomundo Audiovisuais, e a Texto Editora. O volume de negócios gerado pelo total destas empresas em 1997, cerca de 80 milhões de contos, equivale apenas a um quinto do negócio da PT no mesmo ano. Uma situação nada reconfortante quando tudo aponta para que os conteúdos (e não o seu transporte) sejam a principal fonte de riqueza da chamada Sociedade da Informação. Quando o primeiro-ministro anunciou pretender multiplicar os conteúdos por mil (não disse como, nem em quanto tempo) era disto que estava a falar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A taxação do tráfego será, rapidamente, um negócio pouco rentável e até marginal. Primeiro, porque a liberalização do mercado está a chegar. Segundo, porque os próximos sistemas de transporte de informação serão verdadeiramente globais: GSM + satélites LEO. Terceiro, porque o futuro se apresenta assíncrono: abundância de informação em formato digital + tecnologias de compressão sobredesenvolvidas + largura de banda excedente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Construídos os caminhos, é preciso saber onde nos levam. A utilização exponencial do ciberespaço --Internet, WWW, Multibanco, Videoconferência, NetTV, TV por cabo e satélite, telefones móveis, etc., etc. – provoca um desenvolvimento também exponencial das tecnologias da Informação e, sobretudo, dos processos da sua convergência e interactividade. Num ciclo virtuoso, a disseminação destas tecnologia desloca para o mundo online uma cada vez maior percentagem das relações pessoais e profissionais, das transacções, dos serviços e dos media, que antes eram apanágio exclusivo do mundo real. E Portugal está longe de ter lançado fundações suficientes nesse novo mundo virtual. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; A nossa História é, aliás um exemplo bem paradigmático daquilo de que estamos a falar: enquanto os nossos homens sucumbiam de escorbuto (e ao amor das nativas, é certo) para transportar  especiarias, madeiras e ouro, eram outras cidades, italianas e holandesas, quem enriquecia com a transformação dessas matérias-primas sem forma em conteúdos: mobiliário, ourivesaria, etc. A política do transporte, como bem demonstrou o historiador António Sérgio, é má política, se o sistema não possuir, a montante e juzante, outras mais-valias. Ontem como hoje.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579860188170138?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579860188170138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579860188170138&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579860188170138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579860188170138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/os-contedos-e-o-resto.html' title='Os conteúdos e o resto'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579856239629363</id><published>2006-04-23T14:22:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:22:42.400+01:00</updated><title type='text'>Os cometas NASDAQ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No seu número de Janeiro, uma das revistas referenciais da Nova Economia -- a "Red Herring" -- colocava de fora a AOL na sua escolha dos dez melhores investimentos bolsistas deste século (o que começa e não o que acaba). Razão apontada: a AOL estaria valorizada ao seu máximo ou já sobrevalorizada. Como que por ironia seguia-se um artigo, "Chasing a Chimera", que trazia por subtítulo o seguinte: it's hard to find a believable value for a share of America Online. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Entretanto, a realidade desmentiu imediatamente este trabalho de jornalismo sério. Mais que um engano, que em verdade nos parece não ter existido, a "Red Herring" foi ultrapassada por uma economia que se move à velocidade dos quanta. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A compra da Time Warner, o maior conglomerado da indústria de conteúdos com um século de história, pela AOL, o maior ISP do mundo ao fim de meros quinze anos de actividade, anuncia a vitória das startups num mundo onde os gigantes temem os seus próprios pés de barro. Aparecendo do nada, como cometas flamejantes do NASDAQ e do Dow Jones, estas startups aproveitam a sua sobrevalorização em bolsa para engolir empresas com maior activos e proveitos, como se as regras da economia tenham entrado em efeito warp. A razão disto até pode não ser difícil de encontrar: eles, os cometas, possuiem os modelos de negócio correctos. Ou podem proceder à sua integração com os sistemas mais pesados do passado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Apesar dos activos e dos lucros da Time Warner superarem em duas vezes e meia os da AOL, os accionistas desta última deterão 55 por cento da nova empresa o que, por eliminação, deixa os actuais accionistas da Time Warner em desvantagem. A verdade é que a capitalização bolsista da AOL (164 mil milhões de dólares) é praticamente duas vezes superior à da Time Warner (83 mil milhões de dólares). Em tudo isto só se pode concluir que a expectativa vale hoje mais que os lucros e activos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Em abono da verdade, diga-se que Steve Case, da AOL, fez todas as compras certas: a CompuServe, a Netscape e a israelita Mirabilis, criadora do ICQ, hoje por hoje um dos programas de comunicação instantânea mais disseminados por esse ciberespaço fora.  Esta estratégia, devidamente recompensada pela confiança bolsista, preparou-o para estar onde está hoje: com a CNN, Time Warner Cable, Home Box Office, Cinemax, TBS, CDNow, Lorimar, Warner Bros, Turner Entretainment, ou seja, uma mistura explosiva de conteúdos com um sistema de distribuição via fibra óptica. Não façam confusão: não só se trata do maior conglomerado da nova geração, como começa aqui, de modo explícito, a Nova Economia. Vejamos: ao contrário das pouco fiáveis linhas telefónicas, a cablagem permite identificar com um elevado grau de certeza o consumidor individual. Pense-se agora na reformulação do pensamento do marketing. Hoje, a estratégia fundamental do marketing já não é vender o mesmo produto ao maior número de consumidores possíveis, mas sim vender o maior número de produtos possíveis a um único consumidor. O paradigma inverteu-se completamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sabendo identificar o consumidor (ultrapassando o maior obstáculo que as pessoas colocam ao comércio online: a segurança) utilizando toda a tecnologia de construção de perfis aprendida nos cookies e nas bases de dados, a fusão da AOL e da Warner prefigura esse novo tempo em que seremos consumidores individuais, identificáveis um-a-um, e já não massas estatísticas. Fica também ameaçado -- e ferozmente -- o reino da privacidade. Mas isso é outra conversa. Como disse uma vez Negroponte: a liberdade é como o ar; só quando nos falta lhe damos importância. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579856239629363?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579856239629363/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579856239629363&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579856239629363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579856239629363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/os-cometas-nasdaq.html' title='Os cometas NASDAQ'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579849142164791</id><published>2006-04-23T14:21:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:21:31.423+01:00</updated><title type='text'>O milénio de Calvino</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Este é o meu terceiro Agosto em vossa companhia. Talvez porque uma das imagens literárias mais fortes da minha memória seja “O Estranho”, de Camus, outorgo-me o direito de tudo permitir por causa do Sol. Há dois anos falámos de Pessoa. O ano passado, de Borges. Faltava, seguramente, Calvino. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E é este o tempo certo, já que foi para este milénio que ele nos deixou seis simples conceitos (em «Six Memos for The Next Millennium», as conferências que escreveu para a Universidade de Harvard e que não viveu o suficiente para as realizar): Leveza, Rapidez, Exactidão, Visibilidade, Multiplicidade e Consistência. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Seis conceitos para a literatura, porém de impacto mais vasto, porque o contexto da literatura não se fecha num invólucro, antes extravaza das, e pelas, ideias da época. Em certos casos, a verosimilhança dessas ideias aplicadas a outras febres de uma sociedade em grande transformação, não cessa de nos surpreender. É o caso quando Calvino afirma na Rapidez que «numa época em que triunfam outros media rapidíssimos e de raio de acção extremamente amplo, arriscando-se a reduzir toda a comunicação a uma crosta uniforme e homogénea, a função da literatura é a comunicação entre o que é diferente pelo facto de ser diferente, não embotando mas sim exaltando essa diferença, de acordo com a vocação própria da linguagem escrita». É óbvio que a escrita, na maioria das vezes acto individual,  livre (ou antítese) dos poderes económicos e políticos, assume a face mais visível da resistência. Nem mesmo as novíssimas artes multimedia e interactivas, prisioneiras do projecto tecnológico, conseguem assumir a vanguarda dessa resistência ao vulgar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Algo cuja vocação Calvino definiu definiu como Leveza: «Nas alturas em que o reino do humano me parece mais condenado ao peso, penso que como Perseu deveria voar para outro espaço (…) Quero dizer que tenho de mudar o meu ponto de vista, tenho que observar o mundo a partir de outra óptica, outra lógica, e outros métodos de conhecimento e de análise». Mudar de ponto de vista ou mudar simplesmente; compatibilizar o múltiplo e o oposto; liberdade e tolerância: uma atitude para este -- já não o próximo -- milénio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A Leveza que Calvino advoga -- e que em certa altura diz ser nexo entre a levitação desejada e a privação sofrida -- prende-se com a nossa capacidade de deixar para trás -- abandonados nas nossas vidas ou no milénio que se esgota -- os pesos mortos. Talvez os automóveis e os motores de combustão. Talvez a ideia do atómo e a mecânica newtoniana. Talvez as coisas que ontem acabámos de baptizar como “Novas”: a Nova Economia, a Nova Política. Que interessa? Essa será uma decisão pessoal, um electrão que decide fugir à gravidade. E na somatória dessas decisões, entrever-se-á os novos sistemas e modelos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Calvino percebeu que a Exactidão se perdeu na Aldeia Global. Um daqueles efeitos secundários tão inesperado (?) como mal desejado. «Às vezes parece-me que uma epidemia pestífera atingiu a humanidade na faculdade que mais a caracteriza, ou seja, o uso da palavra, uma peste da linguagem que se manifesta como perda de força cognitiva e de imediatismo, como um automatismo com a tendência para nivelar a expressão nas fórmulas mais genéricas, anónimas e abstractas, para diluir os significados, para embotar os pontos expressivos, para apagar toda a centelha que crepite do encontro das palavras com novas circunstâncias». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Retenham-se: «as novas circunstâncias». Lembremo-nos: a forma banal como os novos fenómenos sociais e comunicacionais são transcritos, uma falha de descrição que não encontra as palavras que expressem com exactidão as novas tribos, as novas micro-culturas e, surpreendentemente, até a nova ordem do mundo. Mas o problema não é só um problema de palavras. Ou é, exactamente, de palavras? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579849142164791?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579849142164791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579849142164791&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579849142164791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579849142164791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/o-milnio-de-calvino.html' title='O milénio de Calvino'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579844584064587</id><published>2006-04-23T14:20:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:20:45.843+01:00</updated><title type='text'>Iluminações</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Aquilo que temos como absoluto -- não fazer piqueniques na linha do comboio, não usar a ponte Vasco da Gama como prancha de saltos, não colocar a cabeça no micro-ondas -- é relativizado com simplicidade assombrosa pelas novas tecnologias ao serviço das representações da realidade. Excesso de mass-media, excesso de jogos, excesso de efeitos especiais, excesso de imagens. Já Platão falava de um mundo de sombras. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O mundo em que vivemos perdeu, irremediavelmente, o seu paradigma analógico. Já nada é o que é. Tudo é a mesma coisa e essa coisa serve para codificar e representar tudo o que é necessário para manter a matriz da realidade. Por detrás do estado sólido das coisas, está informação digital, vibrante e luminosa. Energia, informação, zero e uns. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Essa matriz digital está longe de ser inacessível. De Buda a William James, de Picasso a Jean-Arthur Rimbaud, passando por um longo rol de profetas, beatos, gurus e xamãs, a matriz tem sido hackada ao longo de seis mil anos. Transes e iluminações, naturais ou induzidos, têm permitido o acesso directo ao código com que está escrito o programa do universo. Sintaxe e semiótica dirão os mais cépticos, já que cada época produz os paradigmas de linguagem com que se explica o óbvio inexplicável. Talvez. Porém… parecemos estar cada vez mais perto da verdade, não é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Esta é a metáfora: tudo no universo são quantas. Luz e energia. Ondas e partículas são estados diferentes da mesma coisa. A matéria é energia «congelada», vibrando a uma velocidade inferior. O sema é único. Falta saber -- ficará sempre por saber? -- o quê ou quem é a «cola». O que dá sentido e o que torna o sema uma coisa agora ou outra um pouco mais tarde. Para gozo de quem decorre o maravilhoso espectáculo da entropia? De Deus? Do homem? Qual dos dois é a matriz? Quem colocou o programa a correr?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Cristo acedia directamente ao código e operava milagres. Foi o maior dos hackers da História. E eu lembro-me sempre de «Matrix» e pensar se não estamos a tentar -- desesperadamente -- criar uma nova religião. Se não estaremos a substituir a ideia de Deus antropomorfo e analógico com a ideia de Deus quanta e digital. Deus é a primeira ideia de uma inteligência artificial. Sejamos claros: nisto, a Matriz não é inédita. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Esta nova cosmologia nasce na alvorada do século com Theillard de Chardin (católico) que defendia três fases no processo evolutivo: biosfera (o planeta Terra); o pensamento inteligente (o seu aparecimento); a noosfera (séc. XX, a partir do telégrafo, telefone, rádio, etc.). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A noosfera, escreveu Theillard de Chardin, «resulta da acção combinada de duas curvas, a esfericidade da Terra e a convergência cósmica do espírito». Há setenta anos atrás, era assim que o paleontólogo jesuíta definia o seu ideal: «uma membrana pensante cobrindo o planeta, como um globo vestindo-se a si mesmo de um cérebro». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;«Com o ciberespaço», diz John Perry Barlow, «estamos em vias de criar uma consciência colectiva». Ou pelas palavras sempre iluminadas do mestre McLhuan (católico): «Graças à descoberta da vaga electromagnética e das suas formidáveis influências biológicas, cada indivíduo se encontra, pela força das coisas (activa ou passivamente) presente, em simultâneo, nos quatro cantos da Terra». Phillipe Quéau estende o conceito para integrar a Internet, ainda não inventada ao tempo dos profetas católicos: «a Noosfera é um conceito espiritual enquanto o metamundo se inscreve no mundo real, quase social. Podemos escalar as diferenças sobre uma série de quatro níveis: a Net será a rede fisíca; a Web a rede semântica (ou seja, o conjunto das páginas de informação, os conteúdos propriamente ditos); o metamundo a rede socio-económica, situada acima da Internet ou do conjunto das redes. Finalmente, a Noosfera sobrevoará espiritualmente tudo isto».&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Convenientemente, o dom da ubiquidade, omnipresença, é característica divina. Estamos, agora, em todo o lado ao mesmo tempo. Em comunhão com a Noosfera ou a Matriz. Parece-me mesmo uma nova religião. A sério. A diferença é apenas esta: não foi Deus que criou o Homem à sua imagem e semelhança. Fomos nós que acabámos de criar Deus. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579844584064587?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579844584064587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579844584064587&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579844584064587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579844584064587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/iluminaes.html' title='Iluminações'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579835906670649</id><published>2006-04-23T14:18:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:19:19.066+01:00</updated><title type='text'>Expectativas e desilusões</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pela primeira vez desde que apareceu como uma pequena rede de computadores científicos chamada Arpanet, a Internet conheceu no ano de 2001 uma tendência inédita: decresceu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Da moda, do exagero do ruído em relação ao sinal (hype como designam os americanos) passámos ao pessimismo – efeito da estrondosa explosão da bolha financeira -- e há quem até acredite que a Internet é uma coisa que, a seu devido tempo, será reduzida a um nicho da sociedade ou, mesmo, “ir-se-á embora”, desaparecerá (obviamente só alguns radicais defende esta tese). Ou que poderá estar omnipresente, tal como a televisão ou os pratos de satélite, mas cuja importância dependerá da nossa vontade individual em relacionarmo-nos, ou não, com ela. Nada mais errado. Os arautos da desgraça e da desconfiança são apenas um efeito co-lateral e esperado do ruído da moda e do sinal da decepção quando as promessas ultrapassaram o razoável. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Voltando a pegar na ideia -- McLuhan dixit – de que a mensagem de qualquer medium é outro medium; e que a Internet vem finalmente compactar os media que se mantinham à margem da fusão, como o dinheiro (digital cash) e o transporte (teleconferência), por exemplo; a inevitabilidade da Internet nem merece ser discutida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A Internet é como um novo mundo, um continente recém-descoberto onde devemos ter o cuidado de não perturbar ou destruir o equilíbrio natural, sob pena de sermos irremediavelmente expulsos do paraíso. Porque então só nos restará o Velho Mundo, com todas as condicionantes que lhe conhecemos e com poucas oportunidades. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Comprometer agora a relação com a Net é arriscar uma parcela enorme do futuro. É bom que os mais deslumbrados pelo brilho das pepitas mantenham esta ideia bem presente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Como será realmente a Internet daqui a cinco ou dez anos, ainda não o sabemos. Por vezes acredito que os escritores cyberpunk estão muito mais perto de a ter descrito que a linguagem de marketing das milhares de start-ups e grandes companhias que nos prometem tecnologias efémeras, serviços entediantes e produtos já arcaicos antes de sair da caixa. Bill Gates escreveu há alguns anos na introdução do seu livro “The Road Ahead” que “Milhares de pessoas, informadas e mal informadas, estão agora a especular publicamente sobre a autoestrada da informação. O grau de erro sobre a tecnologia e as suas possíveis armadilhas  surpreende-me. Algumas pessoas pensam que a autoestrada -- também chamada de rede -- é, simplesmente, a Internet de hoje ou a distribuição simultânea de 500 canais de televisão. Outros esperam ou temem que crie computadores mais espertos que os seres humanos. Esses desenvolvimentos acontecerão, mas eles não são a auto-estrada.” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Há um lado profundamente social e características narrativas que em muito estão a ser descuradas. Talvez porque não são as mais óbvias de serem empacotadas e vendidas; talvez porque a tecnologia está ainda no seu começo; talvez porque não temos interfaces neuronais. Ou, talvez, porque ainda não estamos preparados para isso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579835906670649?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579835906670649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579835906670649&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579835906670649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579835906670649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/expectativas-e-desiluses.html' title='Expectativas e desilusões'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579829142320747</id><published>2006-04-23T14:17:00.001+01:00</published><updated>2006-04-23T14:18:11.426+01:00</updated><title type='text'>Guerra e tecnologia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mal ou bem as sociedades têm evoluído, exponencialmente diria, em todas as suas manifestações. Nestes últimos anos, pouco mais de um século, esse progresso caracteriza-se pela súbita deslocação da tecnologia desde a periferia para o epicentro da vida humana. A alavanca apenas potencia o músculo e, nesse contexto meramente manual, o homem assume ainda o controlo. Mas a “nova” tecnologia – a alta tecnologia, as tecnologias da comunicação e os media – vieram afectar a um nível profundo a actividade humana (e, como resposta, nunca se viu tanto misticismo avulso) hoje fortemente marcanda por operações para além das possibilidades do corpo: visões microscópicas (a descodificação do genoma humano, p.e.); macroscópicas (o mapeamento das constelações, p.e.); e, ao limite, incorpóreas (telepresença e ciberespaço). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A guerra -- ou a forma de fazer a guerra – não ficou excluída desta evolução. E, independentemente do horror que ela nos deva causar, parece-nos claro que hoje a tecnologia aplicada à guerra permite poupar vidas. Por um lado, os sistemas de informação desenvolvidos identificam com maior clareza os alvos e o seu significado. A guerra bem feita – passe a expressão – atinge a capacidade bélica do inimigo em primeiro lugar e só colateralmente as pessoas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Por outro, morte e destruição são cada vez mais realizadas por meios remotos, poupando ao máximo a presença humana (foi esta a mensagem da Guerra do Golfo, pelo menos do lado dos mais poderosos e avançados tecnologicamente). Com todo o nojo que a guerra me desperta, sinto-me tentado a aceitar estes argumentos, independentemente do que penso sobre a legitimidade das intervenções apelidadas de “humanitárias”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O Kosovo, contudo, veio provar-nos mais uma vez – o “gaz mostarda” na Primeira Grande Guerra ou a radioctividade em Hiroshima já foram exemplos --que podem existir graves consequências para além do tempo em que é decidida a vitória de uns e a derrota de outros. A utilização de urânio empobrecido nas bombas originou vários casos de leucemia entre os soldados da NATO. Mas se as nações vitoriosas podem, ainda assim, contar com os dedos das mãos estas baixas, que estará a acontecer e o que acontecerá à população autóctone? Quantos deformados irão nascer, quantas pessoas estarão já marcadas para uma morte horrível? E esta outra pergunta não possui qualquer carga de cinismo: não eram estas as pessoas que iam ser salvas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mercê da tecnologia pode-se hoje limitar o número de baixas em favor da opinião pública. Mas não parece existir modo de controlar as inexoráveis consequências da guerra. Supõe-se que num futuro próximo nem seja preciso bombardear seja quem fôr: basta desligar-lhes as luzes, a água, os semáforos, as redes de viação, os aeroportos, enfim, os computadores. Vale a pena perseguir a quimera de uma guerra sem sangue? Pergunte-se a quem lentamente agonia.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579829142320747?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579829142320747/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579829142320747&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579829142320747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579829142320747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/guerra-e-tecnologia.html' title='Guerra e tecnologia'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579825383107978</id><published>2006-04-23T14:17:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:17:33.833+01:00</updated><title type='text'>O que é gratuito é bom?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Foi publicada há algumas semanas atrás pelo Wall Street Journal uma hierarquia de websites em que os minutos gastos por mês pelos respectivos leitores nesses mesmos sites era a medida utilizada. Não deixa de ser curioso, nesta fase do desenvolvimento da Web, que se passe a uma nova forma de contabilidade, para lá dos hits e dos cliques. E isso assim é porque o modelo de negócio está a redefinir-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tal como as cadeias de televisão, os editores de Web procuram fidelizar audiências. Para tal, seguem lógicas idênticas a outros espectros dos media, nomeadamente através de fusões e alianças que lhes permitam mesmerizar o navegador, oferecendo-lhe o leque mais completo de serviços e conteúdos. O primeiro exemplo – e ainda hoje talvez o mais radical – é a American Online que, contrariamente à maioria, também negoceia com o acesso (quem se lembra dos rumores, há uns dois anos atrás, de que estaria falida e quase a fechar? Que engano!). A compra do Geocities pela Yahoo! por um valor completamente pornográfico é o último. Há uma pequena diferença, porém, entre estes dois exemplos: é que ao contrário da AOL, a Yahoo! ofecere aos navegadores todos os seus serviços. No topo da lista referida no Wall Street Journal fazem parte, aliás, além da própria Yahoo!, dois sites de correio electrónico grátis: o Hotmail e o Netadress. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Serviços gratuitos, conteúdos gratuitos… onde será que eu já vi isto? No ecrã do televisor, obviamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A Web procura o seu modelo económico no meio que lhe é mais próximo. Esse meio é, obviamente, a televisão. Mesmo que à partida Net e TV parecessem duas coisas radicalmente diferentes -- antagónicas até, opondo a expressão pessoal à massificação das mensagens -- a utilização intensiva do olhar acabou por inspirar fórmulas semelhantes de parasitismo simbiótico. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Um dos efeitos preversos deste novo parasitismo, é que, tal como a banda-desenhada, o cinema e a televisão se tornaram canibais e autofágicos em termos de conteúdos, chegou agora a vez da Internet se sentar em volta da fogueira da recuperação e reciclagem -- “o media interactivo engoliu todos os temas do consumismo e da criatividade, virou-os do avesso e vende a forma re(sub)construída ao topo do dólar, brilhantemente embalada, minipacotada e pré-obsoleta”, escreveu em tempos Paul McEnery na Mondo 2000.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A Web, liberta dos limites do hipertexto, aproxima-se da televisão, não pela semelhança óbvia entre o monitor e o televisor, mas porque o modelo económico que procura é o mesmo que permite a sobrevivência dos canais de televisão. O Shockwave é um simulacro de televisão. A tecnologia Push é um simulacro de televisão. O negócio dos serviços grátis ao consumidor é um simulacro de televisão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Seria quase paradoxal notar que a televisão se desloca para o “pay per view” no momento em que a Web lhe retoma o modelo, mas contextualizado dentro da história da tecnologia e da conectividade, esse movimento é absolutamente esperado. Mas quando se repete, temos obrigação de fazer melhor que da primeira vez. A ver vamos.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579825383107978?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579825383107978/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579825383107978&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579825383107978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579825383107978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/o-que-gratuito-bom.html' title='O que é gratuito é bom?'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579820604484643</id><published>2006-04-23T14:16:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:16:46.046+01:00</updated><title type='text'>Morte em Génova</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Atacar um jipe da polícia com um extintor não é, seguramente, agir com civilidade por muito que nos assistam. Não é, também, o melhor modo de expressar uma ideia, por muito justa e nova que acreditemos que esta seja. Ser sumariamente baleado e o já cadáver atropelado é, todavia, uma resposta desproporcionada, em excesso de nojo e violência. Considerando o treino específico de quem perpetuou a acção, trata-se de um tremendo acidente -- que pesará para sempre na consciência do culpado -- ou o mais puro assassinato a sangue frio. Mesmo em termos mediáticos, não foi o primeiro, não é único, nem será, certa e infelizmente, o último. Do Vietname ao Brasil, passando por Tianamen, o assassínio sem escrúpulo dos cidadãos às mãos das polícias ou dos militares tem sido das imagens mais aterradores que nos são dadas ver. O facto de Génova pertencer a um país da Europa não deve surpreender: a força dos Estados pode ser latente, mas está sempre lá, mesmo que de vez em quando se vote.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O que é singularmente perverso na morte de Génova, é que ao contrário das situações anteriores, um paramilitar matou um seu compatriota para defender uma “cambada de estrangeiros refastelados no palácio” (passe a expressão, estamos só a acentuar o ponto de vista). O inverso, exactamente, do que nos ditam as gloriosas histórias patrióticas das nações. Como justificará – se para tanto tiver consciência – um polícia italiano a morte de um cidadão italiano, quando a maior parte dos que supostamente defendia não são de Génova, não são seus compatriotas? Como metáfora da globalização, convenhamos que não nos podia ter saído melhor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas o que é ainda mais estupefactivo, é o imenso mistério que nos assalta quando pretendemos entender o discurso da anti-globalização. Algumas das ideias que nos chegam são completamente globalizantes: as ecológicas (que nomeadamente criticam os EUA de não terem aceite limitar as emissões de dióxido de carbono) e algumas económicas (que defendem menor dicotomia entre Norte e Sul). Outras aparentam ser, realmente anti-globalização, no sentido que são “anti-imperalistas”. Mas não há aqui nada de novo, nem sequer o termo: a esquerda luta contra o imperialismo norte-americano desde a Segunda Grande Guerra e a direita, desde essa mesma altura, fê-lo contra o falecido imperalismo soviético. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Destes ecos se depreendem alguns paradoxos. Na verdade, só uma atitude global nos pode defender das graves misérias, desigualdades e, sobretudo, da deteorização do ambiente e do Planeta. Não me parece existir qualquer outra via. Por outro lado, erram os que pensam que a globalização é um mero mecanismo (político, económico…) que pode ser ligado e desligado. A globalização é um estado de consciência: desde que vimos o planeta redondo e azul profundo que não há caminho para trás. Sabemos que um bater de asas de borboleta provoca uma tempestade e um vídeo-amador de polícias a espancar um negro geram uma rebelião urbana. Haverá muita gente para quem isto ainda não aconteceu, mas esses não estavam nas ruas de Génova, nem sabem onde ela fica. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;De Porto Alegre, nomeadamente, chegou-nos outra concepção de globalização – mais humanista da que está a ser levada a cabo pelas superpotências e aproximada ao que acabámos de referir -- mas parece que não é esta que saiu para as ruas de Génova. Sinceramente, não entendo o que está a acontecer.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Restam-me duas explicações (haverá certamente espirítos clarividentes que vejam outras) nenhuma das quais tranquilizadora. A primeiro: que se trata de um novo tipo de violência urbana, impulsionada pelas cada vez piores condições materiais e, sobretudo, espirituais de vida na sociedade moderna. Uma insatisfação desesperada capaz de sair à rua por (quase) qualquer motivo e passível de incendiar-se facilmente. Não é gratuita, note-se, mas não assenta em nenhum sistema de ideias e reinvidicações claras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ou a segunda, também preocupante: que a globalização terá definitivamente destruído a capacidade de se dizerem e ouvirem novos discursos críticos; que o mundo mass mediático destruiu finalmente a oportunidade de seja quem for construir o seu discurso para além dos limites impostos. Que dificilmente se repetirão fenómenos como o do comandante Marcos, que soube abrir brechas no sistema. Parece absurdo, mas não é impossível. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579820604484643?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579820604484643/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579820604484643&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579820604484643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579820604484643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/morte-em-gnova.html' title='Morte em Génova'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579814697138272</id><published>2006-04-23T14:14:00.001+01:00</published><updated>2006-04-23T14:15:46.973+01:00</updated><title type='text'>No tempo em que as máquinas falaram</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;These are the days of miracle and wonder&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;This is the long distance call&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;Paul Simon, “The Boy in the Bubble”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Já lá vão mais de trinta anos desde que as primeiras duas máquinas falaram entre si -- note a antropomorfização semântica -- utilizando o protocolo TCP/IP.  Quer isso dizer que muitos de nós, a acreditar no perfil de leitores, somos já de uma época telemática. Enfim, para ser um pouco mais correcto, o ciclo da telemática começou há mais de um século, com Franklin, Morse, Marconi, Edison e alguns outros aventureiros. O mundo eléctrico, implosivo, atemporal, iniciou-se algures aí. E o ciclo que de certo modo se fechou com o TCP/IP é o do paradigma do bidireccionalidade. Ligar a Costa Leste à Costa Oeste através de uma gigantesca linha férrea. Ligar a Europa à América por um cabo submarino. Eis o sonho entre-os-séculos: ligar dois pontos distantes entre si, tornando a passagem de um para o outro o mais rápido possível até ao tempo real. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A 2 de Setembro de 1969 começou outro tempo: o tempo da mediação telemática entre sistemas de informação maquinais, mais rigorosos, talvez, mas menos complexos e ricos que os sistemas de informação biológicos (leia-se: mentes humanas). No entanto, os primeiros aportam uma enorme vantagem: podem ser partilhados entre várias pessoas enquanto nós, tanto quanto saiba, ainda não conseguimos viver “dentro da cabeça” uns dos outros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O que o TCP/IP antecipou é a alocação de um espaço – ou de uma ideia de espaço – ao mundo virtual, essa terra de ninguém que irrompe na distância que separa duas pessoas. Esse espaço -- genialmente sintetizado por William Gibson como uma “alucinação consensual” -- pôde ser, finalmente e através das máquinas, negociado colectivamente e manter-se de uma forma não perene.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Se é a John Perry Barlow que continuamos a dever a melhor explicação (porque mais simples) deste lugar afísico – “ciberespaço é onde tu estás quando estás ao telefone” -- a questão é que a comunicação em tempo real entre duas pessoas distantes apenas cria um espaço consensual extemporâneo, cuja arquitectura surge e colapsa na duração dessa mesma conversa. O telefone é o primeiro sinal de telepresença -- a nossa voz surge em dois locais distintos ao mesmo tempo – mas funciona como a máquina beam-me-up-Scotty!: parece não existir nada entre o ponto de chegada e o ponto de partida (embora Barlow, brilhante, tenha pressentido diferentemente). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;As máquinas não só desviaram essa comunicação para um tempo duplamente síncrono/assíncrono – criando os delays necessários a um certo prolongamento da vida dessa arquitectura – como, fundamentalmente, trouxeram um cada vez maior número de mentes humanas a residir nessa terra de ninguém, em que todos negoceiam protocolos antes de lhe aceder, de modo a tornarem-se compatíveis. Do ponto de vista das máquinas – não justamente dos filósofos e teóricos da comunicação – isto é o ciberespaço.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Relembremos a declaração de Alan Dykes nas páginas do Amiga Magazine no longínquo ano de 1995: «Há um século atrás, assim somos levados a crer, as jeans Levis usavam-se como genuína roupa de trabalho; baratas e funcionais. Hoje são um acessório caro, uma etiqueta de um estilo de vida. Que hipóteses tem a Internet?». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Esperemos que Dykes se tenha enganado redondamente. Muito embora assistamos com algum fastio a anúncios de cyberjeans e quejandos (proximamente numa loja perto de si: cyberburguers, cybercotonetes e cyber-sopas instantâneas); muito embora a Internet possa ter sido furtada ao iluminado e esotérico monopólio de uns não sei quantos investigadores de gabinete e hackers empedernidos – e realmente colocado alguma pressão sobre a liberdade de expressão, disso não duvidemos – o que importa é que a sua popularização mudou as nossas vidas. E quem não se lembra quanto as mentalidades mudaram quando as calças de ganga entraram na moda? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579814697138272?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579814697138272/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579814697138272&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579814697138272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579814697138272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/no-tempo-em-que-as-mquinas-falaram.html' title='No tempo em que as máquinas falaram'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579807371392870</id><published>2006-04-23T14:14:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:14:33.716+01:00</updated><title type='text'>Bem-vindo ao Ciberespaço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ao ritmo dos quanta, tudo é simultâneo e holístico. Por força da electricidade, a distância contrai-se a medidas de grandeza cujo processamento está além das nossas capacidades. Desterritorialização e destemporalização são consequências imediatas da velocidade a que circula a informação. Mas esta velocidade é também aquela a que se resolve a experiência. Daí que o novo tempo tenha destruído o espaço e criado envolvimento em profundidade, de caminho fritando-nos o cérebro. Deu nascimento a uma nova interioridade, um sistema nervoso cada vez mais próximo de, ou mesmo simultâneo com, as suas extensões. O homem explodiu e o universo implodiu. O paradigma que defina esse equilíbrio, ou o ponto onde se interseccionam esses dois movimentos contraditórios, está ainda por definir claramente. De certo modo, Chardin chamou-lhe a noosfera; Jung, o insconciente colectivo; Lévy, a inteligência colectiva. E há quem lhe chame, simplesmente… o Ciberespaço. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O Ciberespaço existe em todo o lado e ao mesmo tempo, mas essa é só a forma mais fácil de colocar a questão (o real também está em toda a parte embora não ao mesmo tempo). Deveríamos antes dizer: no Ciberespaço existimos em todo o lado e ao mesmo tempo. Existimos, apenas e também, em tempo real. O Ciberespaço não é um espectáculo – como a História – mas uma experiência. É a isso que chamamos – ou deviamos chamar – “interactividade”. Deriva também daí a desintegração do tempo: a incapacidade de uma construção linear, substituida pela simultaneidade. Nesse sentido, não só nos encontramos esvaziados de distância, de causalidade e de interpretação, mas mesmerizados pela experiência. Depois do transe de Narciso, o coma profundo: sem história, sem olhar, sem linguagem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;McLuhan falava da “simulação tecnológica da consciência” como um momento de ascese, o nanosegundo em que o Homem se reúne ao Ciberespaço -- “A mensagem não é constituída pelas palavras, mas pelos efeitos na pessoa. É a conversão”. A simulação, ao contrário da História, designa as condições para os acontecimentos, e não os acontecimentos em si. O tempo é: tempo real, agora, sem construção verbal de passado ou futuro. Não existe escatologia; o resultado está em aberto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No livro “Joystick Nation”, J.C. Hertz diz que “os videojogos são o treino perfeito para a vida na América fin-de-siècle, onde a existência diária exige a habilidade de gerir dezasseis formas de informação que nos são disparadas pelos telefones, televisores, faxes, pagers, PDAs, sistemas de mensagens de voz, correio postal, correio electrónico e a Internet”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E continua: “Os nascidos com o joystick possuiem vantagens incorporadas (…) os miúdos criados com videojogos não são deficitários de atenção, moralmente aberrantes, pequenos zombies iliteratos que massacram gente em massa após demasiado Mortal Kombat. Eles são, simplesmente, aclimatados a um mundo que cada vez mais se assemelha a uma experiência de arcada”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O tempo Universal aproxima-se vertiginosamente do, sincroniza-se com, o tempo do Ciberespaço. Por ora, talvez isto não seja muito óbvio. Mas a progressiva aceleração da cultura, da economia, etc., levar-nos-á a um momento em que a vida será representada e interpretada no seu aspecto imperfectivo. Como uma “experiência de arcada”, tal como nos diz Hertz ou, para sermos mais precisos, como uma “simulação tecnológica da consciência”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É o fim do mundo, mas apenas o fim do mundo tal como o conhecemos (tal como canta Michael Stipe). Porque outro, novo, caótico, orgânico-maquinal, digital e imensamente mais divertido está para nascer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579807371392870?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579807371392870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579807371392870&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579807371392870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579807371392870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/bem-vindo-ao-ciberespao.html' title='Bem-vindo ao Ciberespaço'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579802211522002</id><published>2006-04-23T14:13:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:13:42.116+01:00</updated><title type='text'>O amor é eterno?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;A questão radical que mais do que nunca hoje se põe é a de dar um sentido à vida. E a única resposta que podemos encontrar é a de que a vida já é resposta bastante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;Vergílio Ferreira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Chega Agosto e não se fala de cibernética, telemática e afins. Não cai bem: é altura de pegar nos livros que não se leu durante o ano, sob o calor reconfortante do sol, e partir para lugares invisíveis. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O sol faz-me sempre lembrar, em primeiro lugar, Camus e o mistério da existência…  de como o estrangeiro mata porque foi encadeado. Um gesto simples, um acontecimento banal, e a vida se esvai. Para sempre. O tempo acabou. Ou não?  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Borges recorreu à desaprovação de Nietzsche de que se falasse de Goethe e de Schiller na mesma frase para nos dizer que pensava ser “igualmente irrespetuoso hablar del espacio y del tiempo”.  Argumentou Borges que podemos prescindir -- no nosso pensamento, na nossa mente -- do espaço mas não do tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Imagine-se o leitor numa câmara de privação sensorial. Não há luz. Não há qualquer ruído. O tacto é uma sensação de flutuação num líquido morno. Deixou de haver lugar. Mas há uma última coisa que esta privação jamais nos pode tirar: a experiência do tempo, por muito alterada ou alucinada que ela seja (esta parece ser a própria intenção da câmara de privação). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O tempo não precisa de instrumentos ou medidas; nós precisamos disso para o compreender, medir, comunicar, mas ele em si existe para além disso. Juntamente com a memória – que não é outra coisa que uma medida do tempo -- ele é a coisa última que resta a uma mente sem percepção; é a derradeira emoção que constrói a nossa própria consciência. O tempo é, então, absoluto? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Talvez não. Talvez seja apenas  “Uma imagem fluída da eternidade”, como disse Platão?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Newton e a física mecanicista que perdurou até finais do séc. XIX acreditavam que o tempo era absoluto. Que era igual aqui e em toda a parte e decorria continuamente. Tal era a visão do mundo e do seu funcionamento, pois o tempo é uma constante necessária às equações da mecânica. Contudo, a teoria da relatividade e um pouco mais tarde a física quântica vieram desviar o tempo do centro da explicação do universo. Ele já não é igual em todo o lado, e quando dizemos “todo o lado” já não referimos à esquerda e à direita, mas em profundidade, ao nível sub-atómico ou macroscópico. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tanto a ciência do séc. XX como a intuição dos filósofos e dos escritores sugerem que há algo que vem ainda antes ou depois do tempo, ou melhor dizendo, alguma coisa que é superior ou anterior ao tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sem querer pretender (no sentido de: pretencioso) tocar essa coisa para além do humano, diga-se que talvez ela possa ser experimentada de várias maneiras e certamente que cada um de nós já a (pres)sentiu. E para tal lhe deixo, em laia de despedida de férias, dois avisos plagiados de Vergílio Ferreira, um imenso escritor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sinta o sol e ame os seus livros, “Toda a obra que nos atinge vivemo-la no absoluto e o tempo espera suspenso na sua duração”. E se encontrar alguém especial na toalha ao lado, ame-o como se mais ninguém houvesse porque “o amor eterno existe, enquanto dura”. É isso mesmo: para nós que não somos deuses, o eterno não é uma grandeza, é uma intensidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579802211522002?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579802211522002/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579802211522002&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579802211522002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579802211522002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/o-amor-eterno.html' title='O amor é eterno?'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579789904406001</id><published>2006-04-23T14:10:00.001+01:00</published><updated>2006-04-23T14:11:39.046+01:00</updated><title type='text'>O prazer de falhar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ame as suas experiências (como amaria um filho feio). A alegria é o motor do crescimento. Explore a liberdade de moldar o seu trabalho como belas experiências, iterações, tentativas e erros. Siga o caminho longo e permita-se o prazer de falhar todos os dias.&lt;/span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;Bruce Mau&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sabia que a Playstation -- insígnia de uma indústria recente que não só reflecte os tempos com precisão como, ao fim de uns meros vinte anos, se tornou das mais lucrativas do planeta – nasceu por acaso ou mesmo por asneira? A história conta-se assim: a Sony investiu uns bons milhões no desenvolvimento de um protótipo de consola com CD-Rom para a Nintendo, quando esta desiste da encomenda e opta por manter o "velho" cartucho como suporte do seu software. Sem saber nada da indústria dos jogos, a Sony, ferida no seu orgulho, lançou por si mesma a consola que, por acaso, até deu cabo do share de mercado da Nintendo. Assim nasceu a Playstation. Muitas coisas -- interessantes, lucrativas, paradigmáticas -- são erros. A Coca-Cola, a acreditar na lenda, é também um erro. O empregado da drogaria, na ausência do patrão, não soube o que misturar ao xarope por este inventado e juntou-lhe água gazeificada. O cliente adorou. Tanto que comprou a patente. O resto já se sabe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Neste século industrializado e a caminho do escatológico milénio, implantou-se uma estranha ideologia da síntese e da busca da perfeição. Não são exactamente a mesma coisa mas bem as podemos considerar as principais fontes de muito disparate. Da síntese, que germina terceiras vias e religiões panteístas (e, quiçá, a má literatura de Paulo Coelho); que aplica as equações quânticas ao estudo da psicologia e os princípios da entropia às enxaquecas; nem vale a pena falar: o milénio tem sido uma vasta e quase sempre patética colecção de dislates. Falemos então da "busca da perfeição".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O pianista Thelonius Monk afirmou certa vez que não havia gostado de  um seu concerto por neste terem acontecido "poucos erros". A perfeição, para Monk, era apenas e só a condição para o aparecimento do erro. Esticada aos seus limites possíveis, então a música abre fendas, foras-de-tempo, desarmonias, que provam ter-se feito o humanamente impossível, atingindo o fracasso. Nenhuma outra ilação se pode daqui tirar, a não ser a vontade de repetir. Muitas vezes Monk conseguia-o; por vezes não. E quando não existiam erros, ficava decepcionado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Repare-se como certas formas de vida surgem em ambientes tão inóspidos que a sua própria existência chega para nos maravilhar. Pensem no Nautilus. Pensem no Cacto. Talvez devessemos olhar para eles e seguir o seu exemplo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O milagre da evolução-mutação-adaptação da vida não se fez nem faz, contudo, sem os seus desvios, erros e fracassos. Pensem no homem de Neandertal. Esses fracassos são necessários à exploração das potencialidades do sistema (qualquer sistema, e não apenas o orgânico) ou melhor: o fracasso pertence à busca dos limites e do novo. Segundo os jornais, o super-homem que bateu um dos mais antigos recordes do atletismo, Michael Johnson, colocou uma insígnia no seu ginásio: "se não acreditas no impossível, não perturbes quem o está a tentar". Parece-me uma bela ideia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Para Tom Peters, um dos grandes problemas dos negócios é a "armadilha da Coca-Cola". Imaginemos investir numa ideia que não pode falhar: um refrigerante totalmente à base de açucar e corantes. E o problema é este: se alguém entende o seu conceito, então é porque ele nada tem de novo. Vai ser apenas segundo. Nunca será, realmente, uma "nova Coca-Cola", mas sim "mais uma Coca-Cola". Outra. (Ainda Peters : "os erros não são o sal da vida, os erros são a vida. Os erros não devem ser tolerados; devem ser encorajados").&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Em suma, o erro é, por excelência, o local onde nasce o novo, o surpreendente, o meteórico sucesso. A Coca-Cola e a Playstation são o que são, mas vale pouco repeti-las. Em vez disso, descubra-se algo de novo. Faça uma asneira que ainda ninguém fez.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579789904406001?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579789904406001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579789904406001&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579789904406001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579789904406001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/o-prazer-de-falhar.html' title='O prazer de falhar'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579783272185876</id><published>2006-04-23T14:10:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:10:32.726+01:00</updated><title type='text'>Electrodomésticos e inconfidências</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Numa casa vulgar é hoje possível identificar uma meia centena de "chips inteligentes”, discretamente imbuídos em vários electrodomésticos e afins, desde os diferentes telecomandos e o próprio computador à aparelhagem estereofónica, frigorífico, relógio-despertador, aspirador, game-boy, etc., etc. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A computação ubíqua, tal como o nome assim o indica, é quase invisível e os seus processos silenciosos (o seu poder, porém, não deve ser menosprezado). Talvez por essa razão este tipo de computação não tenha nunca despertado tanta atenção como outras áreas mais sonantes da tecnologia com as quais se entretêm diariamente os media. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Contudo, os questionamentos sociais e éticos normalmente elaborados em torno doutras áreas da ciência e tecnologia – como a inteligência artificial ou a largura de banda – também devem ser colocadas a estes invisíveis chips.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ou seja, se é licíto clamar por uma largura de banda acessível a todos de modo a não criar uma sociedade de info-excluídos, também não é menos verdade que a computação ubíqua deve ser equitativamente distribuida. Em suma: todos nós temos direito aos electrodomésticos, como forma de libertação da inteligência para tarefas mais proveitosas ao bem pessoal e colectivo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mark Weiser (investigador da Xerox Palo Alto) perguntava se o facto destes chips pensarem por nós não acabaria por nos tornar menos inteligentes. Discordo em absoluto da assunção. O telecomando, por exemplo, é uma extensão dos nossos sentidos, não um seu substituto. Eis o que o televisor nos fez ao olhar, ou a máquina de escrever ao tacto. E, que se saiba, o que torna o homem estúpido não é o televisor -- o meio é a mensagem -- mas sim os programas que aí passam - os conteúdos.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A info-exclusão poderá não ser um fenómeno identificado apenas pela ausência dos PCs e da Internet, tal como a iliteracia não é só provocada pela falta de livros ou escola. A charneira destes chips “domésticos” não se encontra na “performance” individual, mas sim na possibilidade de comunicarem todos entre si. Um dia, a computação ubíqua estará tão interligada como hoje estão os computadores pessoais (através da Internet). Nessa altura – que cremos muito próxima – haverá que lidar com uma segunda questão ética: a privacidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tal como os agentes inteligentes que desempenharão várias funções em prol dos seus proprietários, também estes chips acumularão conhecimento vital sobre as casas e as pessoas que servem. As primeiras peças de “wearable computing”, os telemóveis, registam a origem, destino e duração de todos as chamadas efectuadas. Há, obviamente, um lado bom nisso: o controlo que possuímos sobre as contas que nos enviam. Mas – escutas telefónicas àparte, que isso é matéria criminal – também podem servir outros objectivos: saber com quem falamos, durante quanto tempo, com que frequência. Há hoje programas que monitorizam o comportamento dos utentes de telemóveis e permitem às companhias de telecomunicações perceber se estão prestes a perder um cliente. Mesmo quando este ainda nem sequer está consciente de que o poderá vir a fazer! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Os chips invisíveis, dentro das nossas casas, podem ser vigilantes bem mais acutilantes que o exemplo referido acima. O frigorífico pode vir a conhecer melhor os nossos hábitos de consumo que nós mesmos. Nesse momento, teremos de estar preparados para assegurar a confidência dos electrodomésticos. Uma relação de confiança com os chips invisíveis é fundamental para assegurar a liberdade de cada um de nós. E o melhor é começar já a cuidar dela.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579783272185876?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579783272185876/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579783272185876&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579783272185876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579783272185876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/electrodomsticos-e-inconfidncias.html' title='Electrodomésticos e inconfidências'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579777745882624</id><published>2006-04-23T14:08:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:09:37.460+01:00</updated><title type='text'>A mensagem da tecnologia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;Quem não tem fé&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;Não pode invocar a fé dos outros &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;Lao Zi &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Aposto que o leitor anda aterrorizado com as recentes quedas da bolsa. De repente deve ter começado a pensar: "afinal sempre era uma bolha!". E como qualquer bolha de sabão, incha, incha, até rebentar. Mas não, nada disso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Na verdade, os verdadeiros culpados da quebras bolsistas são os analistas, especialistas e outros pessimistas; nem a economia, nem o mercado. Há força de tanto profetizarem a desgraça, os oráculos tornaram-se realidade. Os investidores, que certamente lêem muitas revistas, pensaram duas vezes e deixaram cair algumas das suas tentações. Mas ele há títulos que continuam sólidos como o betão e o aço (ou as suas indústrias). Veja-se o caso da AOL, da Cisco e mesmo da Microsoft, apesar da conspiração mundial que lhe está a ser movida. A questão é bem simples: nem tudo o que é Internet é bom e comer fruta verde pode provocar indigestões. Mas não pense o leitor que a nova economia está de frágil saúde ou para mudar radicalmente. Bem antes pelo contrário, a partir de agora o que florescer será garantidamente mais saudável. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O que melhor distingue o momento em que vivemos é a súbita deslocação da tecnologia: desde a periferia para o epicentro da vida humana. Na "velha tecnologia" maquinal e muscular, o homem estava em absoluto controlo (apesar das mensagens apocalípticas estilo "Metropolis"). Mas a "nova tecnologia" – a alta tecnologia, as tecnologias da comunicação e os media – veio afectar a um nível profundo a expressão, a percepção e o pensamento humanos, varrendo de um sopro os velhos paradigmas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Dito de outra forma, a tecnologia é o meio que transforma, hoje e radicalmente, as leis pelas quais regemos a nossa(s) sociedade(s) e a nossa(s) economia(s). E a sua mensagem são os efeitos, psiquícos e socias, individuais e colectivos, no homem. O modo como o meio afecta e transforma as nossas vidas é mais importante do que o modo como afecta o que pensamos. “Os efeitos da tecnologia não ocorrem ao nível das opiniões ou conceitos, mas alterando os rácios dos sentidos e os modelos de percepção, continuadamente e sem resistência”, escreveu Marshall McLuhan. O planeta foi várias vezes visceralmente afectado por meios que reconfiguraram o espaço e diminuíram a distância (ou o tempo, se preferir): o comboio, a auto-estrada, o avião. Mas nenhuma dessas reconfigurações foi tão radical quanto a realizada pela electricidade. A electricidade matou definitivamente a distância, acentuando a simultaneidade entre a acção e a retroacção. Sem tempo de resposta e sem distanciamento, sem forma de lidar com um mundo que implode pela força das redes e da electricidade, somos tomados de um pânico sobrenatural, incapazes de aceitar que já não estamos em controlo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A economia já não se comporta como uma máquina, respondendo às equações aritméticas e matemáticas de aprendizes de feiticeiro. A economia está viva e comporta-se como um vírus, uma bactéria, um organismo. Efectua saltos no contínuo, menos em evolução que em mutação. Escapou-se-nos. E é por isso, caro leitor, que quero aqui partilhar consigo esta sentida fé: eu cá vou continuar a investir na Internet.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579777745882624?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579777745882624/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579777745882624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579777745882624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579777745882624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/mensagem-da-tecnologia.html' title='A mensagem da tecnologia'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579762550954796</id><published>2006-04-23T14:06:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:07:05.513+01:00</updated><title type='text'>A Crise</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;O Futuro já chegou. Só que não está equitativamente distribuído.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;William Gibson&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Num recente debate que juntou vários jornalistas especializados em tecnologias da informação, o tema da Nova Economia e da sua crise esteve bem vivo na sessão. Suponho que não poderia ser de outra forma. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Muitos foram os argumentos invocados, muitos os protagonistas, muitos os diagnósticos. A procura de uma razão será sempre um impulso incontornável em nós. Na verdade, têm de existir muitas razões: um acontecimento complexo que teve raízes económicas mas também sociais e intelectuais. As repercussões, de igual modo, se fazem sentir em todas essas esferas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas uma razão é mais simples: reduz-se todo um processo a algo que facilmente se identifica, se comunica e, se for caso disso, se condena. Ou seja, pressinto que há também uma preversa busca da culpa quando se inquirem as razões. Talvez os cientistas queiram, em última análise, encontrar o culpado de tudo isto – o universo, a entropia, a luz. Como dizia Douglas Adams, “No início, o Universo foi criado. Isto enfureceu muita gente e tem sido geralmente encarado como uma má ideia”. E andamos todos à volta disto a ver se conseguimos encontrar alguém a quem pregar na cruz. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O culpado é a forma mais redutível do fenómeno. Tem ainda a vantagem de poder ser condenado e, com isso, podemo-nos sentir aliviados e fechar um ciclo. Essa expiação, contudo, nada resolve. Isto é do mais banal que se pode dizer: a condenação do assassino não devolve a vida à vítima. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Isto para dizer que, de uma forma previsível, se levantaram as vozes para apontar os culpados: os bancos e os financeiros que colocaram o dinheiro; os fabricantes que forneceram o hardware; os empreendedores e programadores  que levantaram ideias e, finalmente, os jornalistas e “opinion makers” que fizeram eco e deram cobertura a esta imensa loucura. Por que não há outra coisa que se possa chamar a este enorme engano que foi a Nova Economia: uma alucinação colectiva. Sim, ainda me lembro da prestigiada (à altura) revista Wired ter incorrido no atrevimento de começar o seu editorial na própria capa dizendo qualquer coisa como “Nós vimos o futuro e ele chama-se push-media”. Desculpe, importa-se de repetir? Pushquê? Quando tempo durou, que frutos deu e quem sequer se lembra? E este é só um exemplo, entre muitos, de tecnologias (e modelos de negócio e modelos de consumo) que desapareceram tão rapidamente quanto surgiram. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas… será mesmo, mesmo assim? Não estou seguro de que hoje me sinta tentado a mudar muitas vírgulas ao que venho dizendo e escrevendo desde meados da década passada. Obviamente terei errado; mas o futuro está sempre a chegar e, com ele, a confirmação de que o mundo novo existe. Só que não ao mesmo tempo e para toda a gente, como quiseram crer os investidores e os vendedores de ideias. No essencial, as regras enunciadas por Kevin Kelly para a Nova Economia – que se sente desde meados do século XX e não é um fenómeno tão recente como nos querem fazer crer – descrevem com argúcia crítica as mudanças que acontecem e estão a acontecer. Não ficou dito, em lado nenhum, que era suposto falsificar contas e especular escandalosamente na bolsa. Isso foi um fenómeno marginal, infelizmente com enorme impacto na vida de todos nós. Mas se aceito uma crise económica (que remédio) recuso-me a aceitar a crise de fé. O futuro já chegou: compreendam-no. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579762550954796?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579762550954796/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579762550954796&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579762550954796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579762550954796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/crise.html' title='A Crise'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579755880305944</id><published>2006-04-23T14:05:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:05:58.806+01:00</updated><title type='text'>Convergências</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Muito se continua a falar de "convergência". Não das convergências democráticas ou de Portugal na Europa -- sobre essas tenho uma opinião bem cínica que prefiro omitir -- mas da convergência dos media na sociedade global de redes de comunicação (eufemenisticamente traduzida por "sociedade da informação").  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Esta convergência, porém, a existir, está longe de se traduzir na "velha" noção de cruzamento genético entre televisor e computador. Pelo contrário, adivinha-se uma proliferação de mecanismos mediáticos e intermediários -- entre o homem e os conteúdos, mas também entre o homem e a inteligência artificial -- da qual nem o frigorífico ou as máquinas de lavar escapam.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ao invés da miscibilidade dos ecrãs iremos ter, isso sim, um contínuo de variados ecrãs, cada qual com o seu próprio sentido e, claro, a sua função. A grande alavanca de tudo isto chama-se comércio electrónico -- do qual faz parte a comercialização de conteúdos -- que terá de precaver-se contra o facto de nós reagirmos de modo diferente a cada um desses ecrãs quando chega a hora de gastar dinheiro (a televisão é tendencialmente grátis, o computador anda lá perto, o telemóvel a gente paga, aos electrodomésticos não discutimos preço, etc.). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ao contrário do que também por vezes se pensou, não é a jusante -- do lado dos conteúdos -- que irá assistir-se a um centrípeto movimento de convergência. Não é possível defender uma universal empacotação de mensagens, mesmo quando assistimos a uma intensa reciclagem de materiais desde Shakespeare a esta data. O tempo e o espaço de manuseamento dos ecrãs condiciona o tipo de aproximação, desde o mais sedentário -- o televisor -- ao mais nómada -- o telemóvel -- sugerindo que as aplicações do entretenimento, da informação útil (existirá ainda tal coisa?) e do comércio electrónico se fragmentem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O verdadeiro movimento de convergência acontece, então, na computação ubíqua e na rede. Embora diferentes na substância, os ecrãs estarão interconectados na essência: um vasto magma de informação circulante que um romancista visionário poderia definir como uma tempestade de bits, radiação e tags XML. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mas para além dos ecrãs, subsiste outro mistério (interligado, diga-se): o do interface. O diálogo entre telecomando-joystick-teclado e o menu interactivo. O interface é uma espécie de aventura espacial dos anos 50 e 60. Todos pensamos que aí residem muitas das aspirações da humanidade. Gastar-se-ão milhões (biliões) de dólares em investigação e ensaios, em toda a espécie de modelos: para chico-espertos, para idiotas, para inválidos. Mas o próximo passo da evolução das extensões do homem poderá ser, exactamente, a abolição do interface. Um belo dia alguém anunciará ao mundo o implante sináptico, o biochip. Barato, eficaz, energeticamente autosuficiente, o biochip não exigirá o uso de chapéu em formato parabólica nem ligação directa. Alimentar-nos-á sensações e sentimentos, sem o barroco burguês das representações. Dar-se-á então a convergência final entre o homem e a sociedade de informação :) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579755880305944?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579755880305944/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579755880305944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579755880305944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579755880305944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/convergncias.html' title='Convergências'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579750576608631</id><published>2006-04-23T14:04:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:05:05.766+01:00</updated><title type='text'>A comunicação é a economia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Uma das mais saborosas tiradas de Kevin Kelly -- e sabe-se que ele as tem bastantes -- encontrei-a na introdução de New Rules for the New Economy: «A comunicação – da qual falamos quando nos referimos à tecnologia do digital e aos media – não é um sector da economia. A comunicação é a economia». Tal como eu, aproveitem para saborear o sentido profundo da coisa… a comunicação é a economia… antes de continuarmos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Nos últimos tempos  -- com os tropeções das bolsas, NASDAQ e quejandos -- temos vindo a assistir a uma generalizada suspeição sobre o fenómeno da «nova economia». Há quem afirme que ela nunca existiu, há quem diga que não existe, há quem duvida que alguma vez venha a existir. Mas se atentarmos à definição de Kelly, é difícil negar a evidência: «Esta nova economia tem três características particulares: é global. Favorece coisas intangíveis – ideias, informação e relações. E é intensamente interligada. Estes três atributos produzem um novo tipo de mercado e sociedade, que tem as suas raízes nas ubíquas redes electrónicas». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É nestas ubíquas redes  electrónicas que encontramos os traços fisionómicos da nova economia, tal como antes os encontrámos nas rotas marítimas, nos caminhos de ferro ou nas grandes redes viárias. Sem rede, não existe economia. Sem rede não existe, também, troca de informação, contacto, evolução, diversidade, profundidade. Qualidades que se têm vindo a acentuar à medida que as altas tecnologias – o digital, as tecnologias da comunicação e os media -- vão saturando a rede. A mensagem da tecnologia não é, porém, a simples aceleração do tráfego na rede, muito embora a velocidade – a velocidade impressa pela electricidade -- seja um elemento crucial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Das vias romanas aos caminhos de ferro, destes às auto-estradas e destas às linhas aéreas, as redes que transacionam atómos também aceleraram ao longo dos tempos. O espaço e a distância foram reconfigurados segundo uma lógica de implosão. Mas a mensagem destas redes foi quase só: energia, alimentação, dinheiro, luxo. Porque a riqueza significava a acumulação de bens a jusante como a montante e não ainda a sua capacidade de movimento entre estes dois pontos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Do telégrafo ao telefone, da rádio à televisão e destes à Internet, as redes eléctricas estimularam, cada vez mais, o transporte de ideias, relações e sentimentos, extendendo – tal como explicou McLuhan – os nossos sentidos. A electricidade acentuou o carácter simultâneo da acção e da sua consequência, envolvendo-nos a todos, individual e colectivamente, na noosfera social, económica, política. Tornou-nos mais responsáveis e isso também se reflecte na nova ética dos negócios, apesar de muitas vezes desconfiarmos que nos digam que as pessoas são o mais importante. A seu tempo, porém, a selecção natural distinguirá entre os fala-baratos do marketing e do CRM e as empresas que realmente ouvem e respondem aos desejos dos seus consumidores. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A tecnologia eléctrica é o meio que transforma, de um modo radical, as leis que regem a(s) nossa(s) sociedade(s) e a(s) nossa(s) economia(s). A sua mensagem são os efeitos, psiquícos e socias, individuais e colectivos, no homem. Aquilo a que McLuhan, à falta de melhor termo, chamou de «conversão». &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Neste mundo de «conversos», do intangível, do holístico e do simultâneo, a riqueza não está no que se retém e no que é raro como o ouro, mas no que se partilha e é abundante como os terminais de computador, os telemóveis ou, em suma, a informação. O tempo dos avaros Chegou ao fim. E quer queiram, quer não, a nova economia existe e as pessoas não são exactamente as mesmas. Talvez isto não seja fácil de aceitar, mas Darwin já explicou sobejamente o que acontece aos teimosos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579750576608631?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579750576608631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579750576608631&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579750576608631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579750576608631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/comunicao-economia.html' title='A comunicação é a economia'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579740078929549</id><published>2006-04-23T14:01:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T14:04:10.660+01:00</updated><title type='text'>Em memória de Borges</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Celebra-se por agora o centenário (sobre o nascimento) de Jorge Luís Borges, um dos mais cativantes autores deste século. Borges, como poucos, criou o fantástico, citou clássicos que nunca existiram, dividiu-se a si mesmo em personagens, recenseou livros que nunca escreveu como se eles de facto existissem e fundou uma biblioteca dinâmica e infinita, protótipo e arquétipo da actual World Wide Web. Borges foi, em suma, um dos grandes criadores do virtual. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ao contrário de muitos outros escritores meritórios, Borges não fundou a sua obra num universo absolutamente imaginário -- externo ao real, invisível -- antes abriu fendas no mundo, como se através delas pudéssemos -- por um ilusionismo dos sentidos e do pensamento -- ser invadidos por uma "realidade paralela" (como o é o ciberespaço). Se é verdade que o seu tio Edwin Arnett o instruiu, ainda criança, no idealismo de Berkeley na Casa Vermelha de Lomas, então talvez muita da obra de Borges estará explicada. Mas com ele, nunca é de fiar.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vem isto a propósito de uma das mais deliciosas citações de Borges, a da antiga enciclopédia chinesa intitulada Entreposto Celestial do Conhecimento Benevolente, que em certo ponto classifica desta forma os vários animais deste mundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a) aqueles que pertencem ao Imperador, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;b) embalsamados, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;c) os treinados, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;d) leitões, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e) sereias, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;f) os fabulosos, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;g) cães abandonados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;h) aqueles que são incluídos nesta classificação, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;i) os inumeráveis, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;j) aqueles desenhados com um fino pincel de pêlo de camelo, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;k) outros, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;l) aqueles que acabaram de quebrar um vaso de flores, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;m) aqueles que à distância se parecem com moscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Borges parece brincar connosco. Mas por detrás do risível, encontra-se uma ideia surpreendente: por mais absurda que nos pareça esta classificação, ela não andará longe dos complexos mecanismos de processamento da mente humana. Talvez nos tenhamos habituado a olhar para as directorias do computador e, algo apressadamente, extraído daí uma imagem lógica de como o nosso cérebro lida com a informação. Como uma estante de livros: na de cima, os ensaios; abaixo, os romances de ficção-científica; mais abaixo ainda, os romances; na última (a mais alta) os álbuns de banda-desenhada. Mas não é bem assim. Não existe, no cérebro, um local reservado às receitas de cozinha e outro aos desgostos de amor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O estudo das afasias e da memória relacionada com as lesões cerebrais tem trazido  a lume histórias de empalidecer Borges: desde uma pessoa que conseguia escrever algo que lhe ditassem mas era incapaz de ler ou reconhecer uma única letra (no entanto conseguia descrevê-las visualmente, pelo que nada de anormal se passava com a visão); até outra que reconhecia qualquer objecto animado mas era incapaz de nomear qualquer ser vivo, incluindo comida; outra que reconhecia tudo o que é comestível excepto vegetais; ou ainda uma afasia mais comum, que a uns permite utilizar substantivos concretos mas lhes veda o acesso a conceitos abstractos e a outros exactamente o contrário. Tudo isto, porque determinada e minúscula zona do cérebro se encontra corrompida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Kevin Kelly, no seu livro "Out of Control", explicava que "Existem mais ideias/experiências do que modos de combinar neurónios no cérebro. A memória deve, então, organizar-se de modo a acomodar mais pensamentos do que aqueles que tem espaço para armazenar. Não pode possuir uma prateleira para cada pensamento do passado, nem um espaço reservado para cada pensamento potencial do futuro". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Este complexo sistema de gestão de informação que é a mente humana (incomensuravelmente mais eficaz e incompreensível que os sistemas de gestão de informação dos computadores) funciona de modo não-linear e não redundante. Os sistemas de classificação que utiliza serão, provavelmente, ainda mais rebuscados do que o do Entreposto Celestial do Conhecimento Benevolente. Porém, funciona. E bem. Enquanto o meu computador não for capaz do mesmo, então "ele não será inteligente, apenas pensará que o é". E é falso que um milhão de macacos, teclando durante um milhão de anos, seriam capazes de escrever a obra de Shakespeare. Na verdade, não seriam sequer capazes de reproduzir uma página de Borges.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579740078929549?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579740078929549/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579740078929549&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579740078929549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579740078929549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/em-memria-de-borges.html' title='Em memória de Borges'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579687963093917</id><published>2006-04-23T13:52:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T13:54:39.633+01:00</updated><title type='text'>O milagre ao contrário</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O homem não é o centro do mundo, ele é o fim do mundo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; color: rgb(255, 255, 204);"&gt;Paul Virilio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ao longo dos anos de euforia, nomeadamente pela descoberta do Ciberespaço e a chegada da Nova Economia, pouco se ligou aos principais críticos do progresso, nomeadamente a Paul Virilio, um dos mais esclarecidos “reaccionários” europeus. As reflexões de Virilio incidem particularmente sobre o tema da velocidade – e “não se pode separar a velocidade da riqueza”, como ele nos diz – e na forma como a exponencial aceleração do mundo e a descoberta do limite psicológico e físico da velocidade da luz impactou as nossas vidas. Previa ele que “doravante não se acelerará mais (…) o choque violento contra a barreira do tempo é um acontecimento que nos vai fazer afrouxar, fazer regressar, voltar atrás”. Hoje, com o NASDAQ e todas as outras bolsas em alegre exercício de “bungee jumping”, tememos que tivesse razão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Não sei se foi Virilio quem inventou a expressão “bolha financeira”, mas foi desta forma que ele se referiu à economia desfazada de um tempo histórico e do território. E tinha razão, claro. A forma especulativa da economia sobrepôs-se a tudo o resto e sincronizou-se mundialmente. Japão, EUA e Europa batem ao mesmo ritmo cardíaco: taquicardia pura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Não há ganho sem perda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Segundo Virilio, cada nova invenção transporta em si duas ameaças: o que ela nos faz perder e o acidente que lhe é consequente. Por um lado, o elevador faz-nos perder as escadas, o avião faz-nos perder os paquetes transatlânticos e o TGV faz-nos perder a paisagem. Por outro, “inventar o navio é inventar o naufrágio, inventar o avião é inventar a explosão, inventar a electricidade é inventar a electrocução”. É o acidente que, define Virilio, “é um milagre ao contrário”. Não é possível negar que a euforia do progresso – programada não se sabe bem por quem (Sandy Stone dizia que estamos agarrados à cauda de um tigre invisível) e memeticamente propalada pelos media, pela economia e pela política – nos fechou as portas a uma atitude mais crítica em relação à tecnologia. Uma das razões da existência da Fronteira Electrónica é que as bases de dados, que permitem novas e promissoras formas de marketing, também ameaçam a privacidade; e o seu acidente pode bem ser a violação dos nossos direitos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Porém, a questão do acidente, quando este ocorre sobre as redes mundiais de comunicação, toma proporções distintas às das antigas redes (viárias, ferroviárias, aéreas). Ainda Virilio: “O Titanic afundou-se num local, o comboio descarrilou num outro. Mas nós criámos através da interactividade, as redes e a mundialização que provoca a revolução nas transmissões, a possibilidade de um acidente, já não particular, mas geral. Prepara-se assim um acidente que ocorrerá por todo o lado e ao mesmo tempo!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A luta ecológica dos anos sessenta alertou-nos, provavelmente pela primeira vez, para a necessidade de uma cidadania – ou uma ética política – planetária e já não estritamente local. Ecologia e guerra – não a “bolha financeira” – são, aliás, as principais potenciais ameaças de um grande acidente. Não partilhando a negatividade de Virilio (que ele mesmo atribuía ao facto de estar praticamente só no coro das vozes discordantes) acredito que temos, todos, de aprender uma atitude mais crítica em relação à tecnologia e ao progresso,  perscrutando entre a montagem alucinante dos media, da economia e do discurso político, onde é que está o acidente e onde é que está o milagre.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579687963093917?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579687963093917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579687963093917&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579687963093917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579687963093917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/o-milagre-ao-contrrio.html' title='O milagre ao contrário'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26785072.post-114579577969011117</id><published>2006-04-23T13:35:00.000+01:00</published><updated>2006-04-23T13:36:19.706+01:00</updated><title type='text'>Liberdade e Segurança</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Poucas horas após o atentado de 11 de Setembro, recebo um e-mail de John Perry Barlow garantindo-me a sua própria incolumidade e a da sua família. Mas este americano, amigo, verdadeiro “cow-boy” e fundador da Electronic Frontier Foundation, não é igual à maioria dos americanos, ou até, da população das democracias ocidentais. O seu espírito crítico – de “dissidente cognoscitivo”, tal como vem impresso no seu cartão de visita – não foi atordoado pelas espessas nuvens de fumo que saíam das Torres Gémeas de Nova Iorque. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Acompanhando o conforto da mensagem pessoal (e este não foi o único amigo que me deixou em cuidados, pelo que não confundam a minha opinião sobre os ataques terrorristas, independentemente do que mais adiante se escrever) vinha já o alerta lúcido de um homem que desde sempre pugnou pelo ideal de liberdade:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;“Nada poderia servir melhor aqueles que acreditam que a segurança da América é mais importante que a liberdade da América, como os acontecimentos de hoje. Os tarados do controlo banquetear-se-ão neste dia pelo resto das nossas vidas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Dentro de poucas horas, assistiremos ao início de um vigoroso movimento para acabar com o que resta da liberdade na América. Aqueles de vós que estejam dispostos a sacrificar um pouco da sua – largamente ilusória – segurança, em prol do credo nos  ideais primordiais da América, terão de lutar a favor desses ideais de forma igualmente vigorosa.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Barlow revelou-se premonitório, quando dois dias depois e em meia hora apenas, o Senado americano passou apressadamente legislação – o “Combating Terrorism Act” – sem a discussão que tal assunto necessariamente exigia. Poder-se-á falar de pânico e descontrolo, mas os mais cépticos de nós vislumbramos uma oportunidade não desperdiçada pelos falcões políticos. Seguiu-se o MATA, “Mobilization Against Terrorism Act”, proposto ao Congresso pelo Departamento de Justiça, legislação claramente atentatória às liberdades individuais e que permitirá às polícias a intercepção de comunicações electrónicas sem mandato judicial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ética e Comatose  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O 11 de Setembro, para além de tudo o que já sabemos e não vale a pena repetir, foi a prova acabada do adormecimento e da falta de espírito crítico que assola as nossas sociedades. Desde os que, nos EUA, foram injuriados por no dia fatídico perguntarem “onde está o presidente?” -- e que triste foi ver Schwarznegger na NBC dizer que Bush  era o verdadeiro “action hero” – ou por se atreverem a lembrar que a culpa dos atentados também pertencia à política externa seguida pelos últimos presidentes americanos; até aos linchamentos racistas e a não menos tolerável falácia dos mass media. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A CNN, neste particular, despiu-se de toda a ética: acreditamos que os festejos palestinos (pelo êxito dos atentados) exibidos por essa cadeia sejam realmente imagens recolhidas em 1991, quando da Guerra do Golfo; estranhamos que ninguém saiba que os direitos das mulheres na Arábia Saudita (naquela altura ainda um potencial aliado para estacionamento de tropas) ou na Argélia, p.e., não diferem substancialmente dos do Afganistão; pasmámos ao assistir à anunciada biografia de ben Laden, onde qualquer referência às suas relações passadas com a CIA e a política externa americana simplesmente não existiram. A crer na CNN, o homem nasceu após a expulsão dos soviéticos do Afganistão.    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A comatose pública global e a forma tentacular como os memes dos massmedia se propagam ficou claramente provada a 11 de Setembro. A simples grafia do nome de Ussama ben Laden é um exemplo da incapacidade crítica (parabéns ao Diário de Notícias que desde sempre o escreveu correctamente) dos mass media, de como é hoje quase impossível distinguirmos os sinais do ruído. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Em Portugal, uma sondagem do jornal Público confirmou o horror: que as pessoas estão dispostas a abdicar de liberdade em troca de segurança. Um dos pilares da liberdade é respeitarmos a opinião dos outros. Mas custa-me a fazê-lo quando sei que têm os olhos e os ouvidos cheios de fumo. E eu, sem liberdade, não me sinto nada seguro.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26785072-114579577969011117?l=viagensnaminhalinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/feeds/114579577969011117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26785072&amp;postID=114579577969011117&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579577969011117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26785072/posts/default/114579577969011117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viagensnaminhalinha.blogspot.com/2006/04/liberdade-e-segurana.html' title='Liberdade e Segurança'/><author><name>dr Bakali</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
